Eleição faz Bancada da Bola mudar suas peças
As eleições modificaram bastante a formatação da chamada Bancada da Bola. Na Câmara dos Deputados, muitos políticos que historicamente defenderam os interesses da CBF foram derrotados
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 17/10/2018
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Por outro lado, os oposicionistas também sofreram perdas importantes. Se as escalações mudaram, o jogo da entidade máxima nos bastidores está imprevisível como uma partida de futebol.
Dos deputados ligados à CBF, a grande liderança deve ficar com o reeleito Marcelo Aro (PHS-MG). Diretor de relações institucionais da entidade e irmão do presidente da Federação Mineira, Adriano Aro, Marcelo também é presidente nacional do PHS. Ele ainda conseguiu levar o candidato do partido Carlos Viana ao Senado por Minas Gerais. O suplente de Viana é Castellar Neto, vice eleito da CBF que ocupa mesmo cargo na Federação Mineira.
Outro vice da CBF, Marcus Vicente (PP-ES) recebeu 44 mil votos, mas não conseguiu se reeleger ao sexto mandato. Ex-presidente da Federação Capixaba, ele chegou a presidir a CBF durante a licença de Marco Polo Del Nero no fim de 2015. Seu cargo na entidade está mantido durante o mandato de Rogério Caboclo, com início em abril. Irmão de Fernando Sarney, também vice de Coronel Nunes e Caboclo, Sarney Filho (PV-MA) era deputado federal e não conseguiu entrar no Senado.
Ex-diretor de assuntos internacionais da CBF, Vicente Cândido (PT-SP) nem tentou se reeleger. Ocupa agora o mesmo cargo no Corinthians. Presidente do clube, Andrés Sanchez também não estará no Congresso. Apesar de hoje serem vozes dissonantes da CBF, Cândido e Sanchez faziam parte da base de apoio devido a acordos partidários. Goulart (PSD-SP), presidente do Conselho Deliberativo corintiano, não foi reeleito.
Apoiadores históricos ligados a clubes, como Jovair Arantes (PTB-GO), ex-presidente do Atlético Goianiense, Rogério Marinho (PSDB-RN), ex-presidente do ABC, Guilherme Campos (PSD-SP), ex-vice da Ponte Preta, e Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), ex-presidente da Portuguesa, também não se reelegeram. Roberto Góes (PDT-AP) – presidente da Federação do Amapá que tem candidatura sub judice – não se manteve na Câmara, assim como o ex-árbitro Evandro Rogério Roman (PSD-PR).
Por outro lado, dois velhos conhecidos estarão por lá mais uma vez: José Rocha (PR-BA), ex-presidente do Vitória, que se reelegeu, e Luciano Bivar (PSL-PE), ex-presidente do Sport, que foi impulsionado pelos votos do presidenciável Jair Bolsonaro em sua legenda. Bivar era um dos líderes da primeira Bancada da Bola, de 1998.
Há também novidades: o ex-nadador Luiz Lima (PSL-RJ) foi um dos mais votados no Rio de Janeiro, também catapultado pela onda Bolsonaro. Novatos na política, Paulo Ganime (Novo-RJ), vice de gestão estratégica do Vasco, e Júnior Bozzella (PSL-SP), conselheiro do Santos, foram eleitos pela primeira vez.
OPOSIÇÃO – Pedras no sapato da CBF, Otávio Leite (PSDB-RJ) e Sílvio Torres (PSDB-SP) não estarão na Câmara na próxima legislatura. Eles foram relatores, respectivamente, da Lei do Profut e da CPI da CBF/Nike. Outra perda é Deley (PTB-RJ), ídolo do Fluminense. Reforço de peso da bancada, o ex-judoca João Derly (Rede-RS) ficou por um fio nas eleições: é o primeiro suplente de sua coligação. Transitando entre apoios e vetos, dependendo da linha que seus partidos seguiam, foram reeleitos Orlando Silva (PCdoB-SP), ex-ministro do Esporte, e o ex-goleiro Danrlei (PSD-RS).
No Senado, seguem na oposição Romário (Podemos-RJ) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autores do relatório alternativo da CPI do Futebol que indiciava Del Nero, Ricardo Teixeira e José Maria Marin. Mas Renan Calheiros (MDB-AL), apontado como o responsável por “atrasar” os trabalhos, estará lá. Só que ele perdeu um par e tanto: Romero Jucá (MDB-RR). O esporte terá dois novos representantes: Leila do Vôlei (PSB-DF) e Jorge Kajuru (PRP-GO).