Educação financeira na adolescência: escolhas e autonomia
Com educação financeira, jovens aprendem a administrar dinheiro, planejar gastos e desenvolver autonomia
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 26/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
A transição para o ensino médio marca o início de uma nova fase de autonomia para os jovens. Com maior liberdade, eles começam a lidar diretamente com dinheiro — seja por mesadas, trabalhos informais ou pequenas rendas. Para muitos pais, surge o dilema entre controlar ou confiar. Para as escolas, a questão é estrutural: é necessário preparar os estudantes para decisões financeiras que já estão tomando fora da sala de aula, tornando a educação financeira cada vez mais essencial.
Da teoria à prática: escolhas com consequências reais

A adolescência é a fase em que decisões financeiras deixam de ser hipotéticas e passam a ter efeitos concretos. Comprar um lanche mais caro, parcelar um tênis, ir ao cinema ou voltar para casa de carro por aplicativo são escolhas que podem esgotar a mesada ou o primeiro salário em poucos dias — ou, ao contrário, ensinar o valor de guardar para objetivos maiores. Essas experiências moldam hábitos de consumo, senso de responsabilidade, planejamento e autoestima, tornando a educação financeira um aprendizado diário e prático.
O papel da escola na formação financeira

Para pais e responsáveis, permitir que os adolescentes administrem seu próprio dinheiro pode gerar ansiedade. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece a importância do tema, incluindo a educação financeira como tema transversal que conecta matemática, ciências humanas e projetos de vida. Na prática, no entanto, o conteúdo ainda aparece de forma fragmentada e muitas vezes distante da realidade dos estudantes.
Malu Lira, autora adolescente com mais de 20 títulos sobre educação financeira, defende que a adolescência é o momento-chave para transformar teoria em experiência concreta. “Quando o jovem começa a administrar o próprio dinheiro, ele sente o impacto das suas escolhas. Planejamento, consumo consciente e prioridade deixam de ser conceitos abstratos e passam a ter consequências reais para o bolso”, afirma Malu, que aos 15 anos já vivencia esse processo.
Literatura como ferramenta de aprendizado

Nos livros de Malu, narrativas investigativas apresentam dilemas financeiros de forma lúdica, aproximando a educação financeira do cotidiano escolar. Personagens enfrentam problemas como orçamentos limitados, aumentos de preços, decisões impulsivas e efeitos dos juros, refletindo a vida fora da escola. “As histórias exploram a curiosidade, mostram erros comuns no mundo do dinheiro e permitem que o estudante aprenda sem julgamento. Ele observa o erro do personagem, entende as consequências e transfere essa lógica para si mesmo”, explica a autora.
Educação financeira vai além das contas

Integrar educação financeira ao currículo não significa apenas ensinar a fazer contas, mas desenvolver pensamento crítico e autonomia. “A escola tem a oportunidade de transformar o dinheiro em ferramenta pedagógica para discutir ética, responsabilidade, consumo e futuro”, ressalta Malu.
À medida que os adolescentes ganham liberdade social, o dinheiro deixa de ser apenas um recurso e se torna símbolo de independência. O desafio não é evitar erros, mas preparar os jovens para compreendê-los e aprender com eles. “Autonomia sem educação não forma adultos conscientes, forma compradores sem destino”, conclui a especialista.