Educação antirracista transforma escola em Santos

A educação antirracista no Marista de Santos ensina cultura africana e indígena desde o berçário, promovendo empatia e diversidade real

Educação antirracista transforma escola em Santos

Crédito: Divulgação

Muito antes de aprenderem a ler e escrever, os bebês e crianças do Marista Escola Social Lar Feliz, em Santos, enxergam o mundo sob a ótica do respeito. A instituição, que atende famílias em situação de vulnerabilidade social de forma totalmente gratuita, tornou a educação antirracista uma prática diária. Há seis anos, a unidade mantém o projeto “Não Somos Todos Iguais”, inserindo as culturas africana e indígena na rotina contínua da Educação Infantil.

A educação antirracista além de novembro

A proposta pedagógica surgiu da necessidade de superar o foco restrito a datas comemorativas isoladas. A equipe compreendeu que uma educação antirracista eficaz exige constância para mitigar os impactos das desigualdades sociais e étnico-raciais. O primeiro passo da instituição foi estruturar uma formação continuada para professores e funcionários, trazendo estudiosos para capacitar a equipe por meio de oficinas práticas de canções e jogos tradicionais.

Atualmente, as brincadeiras assumem um papel central na assimilação de conteúdo. As crianças vivenciam diariamente atividades típicas e regionais, como a “amarelinha africana”, a brincadeira “Terra e Mar” e a “corrida do tatu”, além de participarem de oficinas para a confecção de petecas.

Acervo literário e vivência alimentar

A literatura sustenta o projeto com um acervo de mais de 600 livros focados na diversidade, disponíveis na biblioteca central e nas salas de aula. Obras como “Meu Pequeno Príncipe Preto”, “Meu Crespo é de Rainha” e “Chuva de Mangas” compõem a leitura diária dos estudantes.

“A literatura e o brincar são as ferramentas mais potentes na infância. Quando trazemos centenas de títulos que trazem protagonistas negros e indígenas, e quando colocamos essas crianças para vivenciar jogos tradicionais na rotina, estamos expandindo o repertório delas com afeto e naturalidade, mostrando que a diversidade é uma riqueza”, pontua a coordenadora pedagógica da instituição, Cláudia Azevedo.

O plano pedagógico cruza com outra iniciativa da escola, o “Em Torno da Mesma Mesa”, unindo a educação antirracista à alimentação saudável. Os estudantes aprendem sobre a origem dos alimentos ao ouvirem a “Lenda da Mandioca”, realizarem a degustação da raiz e participarem do preparo de um bolo. As turmas também plantaram batata-doce na horta e o cardápio escolar passou a incluir feijoada ao menos uma vez por mês.

Até os bebês participam da dinâmica. A partir da literatura, eles exploram texturas, aromas e sabores de frutas in natura e participam do plantio de ervas como hortelã e camomila.

O impacto da educação antirracista nas famílias

O engajamento dos alunos transpôs os muros da escola e impactou as famílias. Durante a mostra cultural que celebrou os 65 anos da instituição, os estudantes aplicaram o conhecimento adquirido ensinando os pais a amarrarem turbantes africanos.

Para a diretora da escola, Edilene Ribeiro, o foco na ancestralidade constrói bases de empatia, preparando os cidadãos desde o berçário.

“Entendemos que a escola faz parte de uma construção social viva. Nosso sonho é que, no futuro, as novas gerações não abram os jornais e as redes sociais e vejam tantas situações de racismo. Por isso, o compromisso com uma educação antirracista precisa ser diário, transformando não só as crianças, mas também suas famílias e a comunidade”, conclui a diretora.

  • Publicado: 24/08/2026 15:23
  • Alterado: 24/08/2026 15:23
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Assessoria