Eduardo garante a Bolsonaro: “Você não será preso”

O parlamentar demonstrou apreensão quanto a uma possível mudança no apoio da Casa Branca

Crédito: Lula Marques/Agência Brasil e Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) buscou assegurar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a sua segurança em relação a possíveis prisões, conforme revelam mensagens que foram apresentadas no relatório final da investigação da Polícia Federal, divulgado na última quarta-feira (20).

Em um diálogo realizado por meio do aplicativo WhatsApp no dia 10 de julho, Eduardo garantiu ao pai que, na “situação atual”, não havia motivos para preocupações com a possibilidade de encarceramento. No entanto, expressou sua apreensão quanto a mudanças no cenário político. Ele mencionou que dentro da Casa Branca havia conversas indicando que, após o Brasil, outros alvos poderiam ser considerados.

Eduardo também afirmou que a opinião pública tenderia a compreender as medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos em relação ao Brasil e que haveria tempo para reverter a situação, caso necessário. Contudo, alertou que essa dinâmica poderia mudar rapidamente se houvesse um distanciamento por parte de autoridades americanas. “Aqui é tudo muito delicado; qualquer pequeno incidente pode ter repercussões significativas”, ressaltou.

A Polícia Federal indicou que os diálogos revelaram a intenção de Eduardo de continuar ações consideradas ilícitas nos Estados Unidos, além de enfatizar a importância de uma manifestação pública de agradecimento por parte de Jair Bolsonaro ao presidente americano Donald Trump. “Quero aproveitar esse bom momento atual, mas se o nosso aliado encontrar o 01 sem um tweet seu, isso não será bem recebido“, alertou o deputado, recebendo concordância do ex-presidente em resposta.

No relatório da investigação, protocolado no tribunal na sexta-feira anterior (15), são mencionados indícios da prática de crimes relacionados à coação no curso do processo e à tentativa de desmantelamento do Estado democrático de Direito. A defesa de Jair Bolsonaro não havia se manifestado até a conclusão deste artigo.

Em nota oficial, Eduardo negou que suas atividades nos Estados Unidos visem interferir nos processos judiciais em andamento no Brasil, qualificando as alegações da Polícia Federal como um “crime absolutamente delirante”. Ele ainda expressou sua indignação sobre o vazamento das conversas entre ele e seu pai, considerando a situação “lamentável e vergonhosa”.

A investigação sobre Eduardo foi iniciada devido à sua atuação nos Estados Unidos desde março, onde tem promovido esforços para solicitar sanções contra autoridades brasileiras.

O inquérito foi instaurado em maio pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). A PGR alegou que o comportamento do parlamentar fora do país precisa ser examinado por supostas práticas de coação no curso do processo, obstrução de investigações criminais envolvendo organizações criminosas e tentativa violenta de abolição do Estado democrático de Direito.

A procuradoria ainda destacou que a tentativa de submeter as funções do STF à jurisdição de outra nação representa uma afronta à soberania nacional, caracterizando crime segundo o Código Penal brasileiro.

As sanções impostas pelos EUA ao Brasil — incluindo restrições financeiras ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, através da chamada Lei Magnitsky — têm sido apoiadas por Eduardo. O deputado colaborou com autoridades do governo Trump para pressionar pelo arquivamento das investigações contra seu pai.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 21/08/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo