Eduardo Bolsonaro avalia candidatura à Presidência em 2026
Essa iniciativa visa confrontar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos)
- Publicado: 01/01/2026
- Alterado: 29/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Motisuki PR
No cenário político, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está em diálogo com seus aliados sobre a possibilidade de concorrer à Presidência da República nas eleições de 2026. Essa iniciativa visa confrontar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), mesmo diante do apoio esperado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao atual governador para a disputa presidencial.
Eduardo acredita que seu pai está sendo influenciado por partidos do centrão para endossar Tarcísio, e que uma vitória do governador poderia resultar na desintegração do bolsonarismo como um movimento político significativo.
Atualmente, Eduardo se encontra nos Estados Unidos e não tem previsão de retorno ao Brasil, onde já enfrentou um indiciamento pela Polícia Federal. Ele está buscando uma anistia para pessoas ligadas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), uma medida que também incluiria sua própria situação. Apesar da possibilidade de prisão ao retornar ao país, o deputado manifestou a intenção de lançar sua candidatura mesmo a partir do exterior.
Conforme a jurisprudência, é viável para indivíduos residindo fora do Brasil se candidatarem, desde que mantenham seu domicílio eleitoral ativo no país. No entanto, existem complicações significativas em sua estratégia; a principal delas é o risco de inelegibilidade devido ao inquérito em andamento no STF, que investiga sua atuação em conjunto com autoridades americanas contra membros do Judiciário brasileiro.
Nesta quinta-feira (28), Eduardo enviou um ofício ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), solicitando autorização para exercer suas funções parlamentares enquanto estiver no exterior.
O deputado considera deixar o PL, especialmente se Tarcísio optar por migrar para essa legenda — uma possibilidade discutida por apoiadores do governador. Caso isso ocorra, ele precisaria se filiar a outro partido até abril de 2026 para ser elegível.
As trocas de mensagens entre Eduardo e seu pai, reveladas pela Polícia Federal, indicam que ele é contrário à candidatura de Tarcísio. Em conversas com aliados, o deputado expressa que uma vitória do governador enfraqueceria a posição política da família Bolsonaro.
Eduardo afirma que seu plano principal é garantir a aprovação da anistia aos bolsonaristas antes de abril, abrindo caminho para que seu pai concorra ou para sua própria candidatura, caso a inelegibilidade de Jair Bolsonaro não seja revertida ou se o ex-presidente optar por não concorrer. Para seus apoiadores, uma candidatura só faria sentido se essa anistia fosse aprovada; nesse cenário, Eduardo poderia construir uma candidatura independente da influência do centrão.
Ainda assim, Eduardo considera a hipótese de se candidatar mesmo sem a aprovação da anistia, contanto que permaneça elegível. Ele argumenta que tal ação seria necessária para manter vivo o “movimento bolsonarista“, contribuindo também para sustentar uma bancada de apoiadores no Congresso e fortalecer suas bases visando as eleições de 2030.
Ao redor desse debate interno na direita brasileira, aliados acreditam que uma divisão nas forças conservadoras reduziria as chances de sucesso da candidatura de Tarcísio. Nesse contexto, existe a expectativa de que o próprio governador possa hesitar em entrar na corrida presidencial caso perceba baixa probabilidade de vitória.
Se for confirmado como candidato, Eduardo já sinalizou que não apoiará Tarcísio.
Recentemente, a tensão entre Eduardo e Tarcísio aumentou após imagens dos dois jogando futebol circularem nas redes sociais. A cena foi interpretada por membros do grupo de Eduardo como desrespeitosa em um momento tão delicado para Jair Bolsonaro.
Eduardo sugere ainda que seu pai está sob pressão do centrão para apoiar Tarcísio como candidato à Presidência — uma justificativa utilizada pelo deputado para potencialmente opor-se à decisão paterna.
Independente das circunstâncias eleitorais do PL, Eduardo já considera deixar o partido. Ele expressa descontentamento com o apoio recebido pela legenda durante suas atividades nos EUA, embora seja um dos deputados mais votados pelo PL.
Nos últimos dias, os filhos de Bolsonaro têm adotado um tom mais incisivo em suas críticas a aliados não identificados publicamente, especialmente após manifestações públicas em favor da candidatura de Tarcísio por membros do centrão.
A movimentação ocorre em meio aos preparativos para o julgamento do ex-presidente marcado para 2 de setembro. Parlamentares e líderes políticos observam as ações dos filhos como tentativas de assegurar o legado eleitoral do pai e preservar sua relevância política.
Eduardo já expressou publicamente suas preocupações quanto à candidatura de Tarcísio, caracterizando-a como uma estratégia dos interesses estabelecidos em vez da direita tradicional. Em resposta às movimentações políticas recentes, Carlos Bolsonaro (PL), vereador no Rio de Janeiro e irmão de Eduardo, uniu-se às críticas sobre o oportunismo observado nas vésperas do julgamento da trama golpista que pode resultar em pesadas condenações para Jair Bolsonaro.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem adotado uma postura mais reservada e não tem feito críticas abertas às movimentações políticas relacionadas aos possíveis sucessores ou coligações formadas neste sentido. Aparentemente mais alinhado ao pai, Flávio é considerado um importante intermediário nas negociações políticas devido à sua proximidade com Jair Bolsonaro e sua residência em Brasília.
Apoiadores do ex-presidente afirmam que os comportamentos mais radicais dos filhos Carlos e Eduardo não refletem as verdadeiras intenções do patriarca, que estaria buscando uma postura mais conciliatória neste momento tenso no cenário político nacional.