Edin Džeko e a Bósnia que aprendeu a resistir pelo futebol

De sobrevivente da Guerra da Bósnia a capitão dos Dragões, atacante lidera o país em mais uma Copa do Mundo aos 40 anos

Crédito: (Reprodução/Instagram)

Sarajevo já viu de tudo: cercos, destruição, reconstrução e esperança. Em um país que ainda carrega as marcas de uma guerra recente, o futebol se transformou em um dos poucos fatores capazes de unir uma nação dividida por razões étnicas e políticas. E, no centro dessa história, existe um nome que atravessa gerações: Edin Džeko.

Maior artilheiro da história da seleção da Bósnia e Herzegovina, capitão por mais de uma década e protagonista da primeira classificação do país para uma Copa do Mundo, Edin Džeko se tornou muito mais do que um jogador. Aos 40 anos, o atacante continua sendo o rosto e a referência de uma seleção que ainda busca escrever novos capítulos em sua curta trajetória internacional.

A seleção da Bósnia

Os “Dragões” se classificaram para a Copa do Mundo de 2026 após terminarem em segundo lugar no Grupo H das Eliminatórias, que contava com Áustria, Romênia, Chipre e San Marino. Os austríacos garantiram a vaga direta para o Mundial, enquanto a Bósnia precisou passar pela repescagem. Na semifinal, a Bósnia encarou o País de Gales e caminhava para a eliminação até os 85 minutos, quando Edin Džeko marcou o gol que levou a decisão para os pênaltis. Nas cobranças, os bósnios venceram por 4 a 2. Na grande final da repescagem europeia, contra a Itália, um novo empate por 1 a 1 levou o jogo novamente às penalidades, com a Bósnia vencendo por 4 a 1 e indo à Copa, eliminando a tetracampeã do mundo. No Mundial, os Dragões integram o Grupo B ao lado de Canadá, Suíça e Catar. Embora os suíços apareçam como favoritos, os bósnios chegam confiantes após uma campanha marcada por superação. Sem o brilho técnico da geração que disputou a Copa de 2014, a equipe aposta na força coletiva e na experiência de seu capitão para sonhar com uma vaga no mata-mata.

A lenda Edin Džeko

Edin Džeko - Bósnia - Copa do Mundo
(Reprodução/Instagram)

Nascido em Sarajevo, em 1986, Edin Džeko teve uma infância com diversas complicações devido à Guerra da Bósnia, que ocorreu entre abril de 1992 e dezembro de 1995. Quando ele tinha apenas seis anos, as sirenes tocaram pela primeira vez e Edin, junto de sua mãe, teve de se mudar de casa por segurança. Ele passou a morar com sua avó, em uma área pequena, mas segura. Sua família inteira, cerca de 15 pessoas, morava em uma casa de apenas 40 metros quadrados, e nos raros instantes em que Edin Džeko podia se divertir, ele utilizava o futebol para esquecer o que estava acontecendo em seu país. Com o fim do conflito, em 1995, o jovem Edin passou a perseguir o sonho de se tornar jogador profissional. Após iniciar a carreira em seu país, Džeko se transferiu para o futebol tcheco, onde chamou a atenção do Wolfsburg, clube tradicional da Alemanha, e ali começaria sua trajetória em grandes palcos europeus. Dali em diante, passou por Manchester City, Roma, Internazionale, Fenerbahçe, Fiorentina e agora, pelo Schalke 04, onde Džeko se consolidou como um dos atacantes mais subestimados de toda a Europa. Em 2014, Edin participou da campanha que levou a Bósnia à sua primeira Copa do Mundo da história, onde, aqui no Brasil, os Dragões foram eliminados na primeira fase no Grupo F, com Argentina, Nigéria e Irã.

Edin Džeko
(Reprodução/Instagram)

Antes de sua estreia, contra o Canadá, Edin Džeko publicou uma carta aberta a todas as crianças bósnias incentivando-as a nunca desistir de seus sonhos. Do menino que encontrava no futebol um refúgio para os horrores da guerra, Džeko passou a ser o capitão que lidera seu país em mais uma Copa do Mundo aos 40 anos. Para a Bósnia e Herzegovina, ele se tornou o símbolo de uma geração, de uma seleção e da capacidade de um povo de resistir e seguir em frente.

  • Publicado: 12/06/2026 14:15
  • Alterado: 12/06/2026 14:15
  • Autor: Vitor Bianco
  • Fonte: ABCdoABC