Edifício Martinelli reabre para visitas guiadas em São Paulo

Prédio histórico que já abrigou hotel de luxo e foi cenário de crimes retorna ao roteiro turístico com agendamento gratuito

Crédito: Prefeitura de São Paulo

O Edifício Martinelli, um dos marcos arquitetônicos mais emblemáticos de São Paulo, reabrirá para visitas guiadas gratuitas a partir do dia 5 de agosto. Os passeios acontecerão todas as terças-feiras, com grupos de até 25 pessoas e duração de 45 minutos. A expectativa da Prefeitura é receber até 150 visitantes por semana.

As visitas são realizadas nos andares superiores do prédio e serão conduzidas por guias do programa “Vai de Roteiro”, da Secretaria Municipal de Turismo. Os ingressos são disponibilizados gratuitamente sempre às quintas-feiras, a partir do meio-dia, no site oficial. O primeiro lote foi liberado no dia 31 de julho para a estreia do novo ciclo de visitas.

Além das visitas, o edifício está em processo de restauração para se tornar um polo cultural e turístico. A concessão do térreo e da varanda foi assumida pelo Grupo Tokyo, que também organizou eventos e festas no prédio nos últimos anos.

História de luxo e decadência

Com mais de 100 metros de altura, o Edifício Martinelli foi o primeiro arranha-céu de São Paulo, tendo sua construção iniciada em 1924. Projetado pelo empresário italiano Giuseppe Martinelli, o prédio representava um símbolo de modernidade numa cidade em que os prédios não passavam de cinco andares. A construção envolveu mais de 600 operários.

Durante sua fase áurea, o edifício abrigou o luxuoso Hotel São Bento, o Cine Rosário e uma academia de dança, tornando-se ponto de encontro da elite paulistana. A decadência começou após a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, que levou Martinelli à falência. O prédio foi vendido ao governo da Itália e, com a Segunda Guerra Mundial, acabou confiscado pelo Estado brasileiro em 1943.

Na década de 1950, o edifício passou a ser ocupado irregularmente, transformando-se em cortiço com mais de 3 mil moradores. O abandono e as histórias daquela época alimentaram a fama de que o local era palco de acontecimentos sinistros.

Casos policiais e lendas urbanas

A fama de mal-assombrado do Martinelli se consolidou com relatos de crimes e mortes misteriosas. Um dos primeiros registros é o do adolescente Davilson Gelisek, de 14 anos, encontrado morto no prédio em 1947, com sinais de queda de grande altura.

Outros casos, como o de Neide, em 1965, e da jovem Rosa, em 1972 — que teria morrido após passar a noite com um homem não identificado —, ampliaram o imaginário popular sobre o edifício. Durante obras de restauração na década de 1970, restos mortais foram encontrados no fosso do elevador, reforçando os rumores sobre o passado sombrio do prédio.

Entre as lendas mais populares está a da “Loira do Martinelli”, figura misteriosa que, segundo relatos de funcionários e visitantes, aparece repentinamente nos corredores. O medo era tanto que muitos evitavam permanecer no local após o anoitecer. Em um caso curioso, um funcionário teria agredido com uma vassoura uma mulher real, pensando se tratar da famosa aparição.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 03/08/2025
  • Fonte: Teatro Liberdade