Economia circular avança no Brasil com foco na coleta de resíduos

Modelo sustentável busca integrar indústria e varejo para reduzir impacto ambiental e perdas financeiras

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A economia circular está se consolidando como uma alternativa viável e necessária no Brasil, especialmente no contexto atual em que a sustentabilidade deixou de ser um mero conceito debatido para se transformar em uma exigência premente. A responsabilidade pela transição desse modelo recai sobre líderes industriais e formuladores de políticas, que precisam converter discursos em ações concretas.

Um dos principais desafios é a implementação de regulamentações eficazes que promovam a colaboração entre diferentes setores. Isso é essencial para aprimorar a gestão de plásticos e outros materiais que atualmente geram acúmulo de resíduos nos ecossistemas do país. A economia circular, neste sentido, não representa apenas uma alternativa, mas sim um modelo capaz de equilibrar desenvolvimento econômico e conservação ambiental.

Regulamentação e responsabilidade ambiental

Entre as medidas propostas, destaca-se a necessidade de uma regulamentação que vincule a renovação de licenças ambientais à comprovação da coleta de resíduos pós-consumo. Dados recentes indicam que, apesar dos avanços registrados – como as 600 mil toneladas de plástico coletadas em 2023 – uma parte considerável ainda se perde em aterros sanitários ou na natureza devido a falhas nos sistemas de logística reversa.

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Esse desperdício não apenas impacta financeiramente os cofres públicos, com perdas estimadas em mais de R$ 14 bilhões anuais devido ao descarte inadequado, mas também compromete compromissos globais como o Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela ONU.

Papel do varejo na transformação sustentável

Um papel fundamental nesse processo deve ser desempenhado pelo setor varejista, que pode atuar como um catalisador para a transformação necessária. Inspirando-se em modelos implementados na Europa e nos Estados Unidos, o Brasil deve considerar a adoção de sistemas de depósito e recompensa para consumidores, onde supermercados e grandes redes teriam um papel central na coleta de embalagens.

Nesse sistema, ao adquirir produtos com embalagens plásticas, o consumidor pagaria um valor adicional (depósito), que seria reembolsado integralmente ao devolver as embalagens em pontos de coleta estabelecidos nos próprios estabelecimentos comerciais.

Para garantir a efetividade dessas iniciativas, um marco regulatório robusto deve condicionar a renovação das licenças operacionais tanto de varejistas quanto da indústria ao cumprimento de metas progressivas. Uma proposta ambiciosa é que, em até três anos, o Brasil consiga alcançar uma taxa de 70% na coleta de embalagens plásticas, um índice já atingido por estados como Oregon (EUA), onde a taxa de retorno para latas foi de impressionantes 89% em 2022.

Esse modelo não só reduziria o descarte inadequado como também geraria benefícios econômicos diretos. A economia circular deve ser vista como um caminho viável e não como um ideal distante. Superar a fragmentação das ações é crucial.

Com regulamentações claras, investimentos em tecnologia e uma colaboração estratégica com o varejo, o Brasil possui todos os elementos necessários para liderar essa revolução ambiental. A hora de agir é agora, com urgência e em grande escala.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 14/05/2025
  • Fonte: Sorria!,