Ebola avança na África e OMS alerta para risco de epidemia
Ebola soma 471 casos e 84 mortes na África Central. OMS e autoridades dos EUA alertam para risco de repetição da epidemia de 2014
- Publicado: 06/06/2026 14:56
- Alterado: 06/06/2026 14:56
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: OMS
O avanço do Ebola na África Central acendeu um alerta internacional. Autoridades de saúde dos Estados Unidos e a OMS (Organização Mundial da Saúde) avaliam que o atual surto pode atingir níveis semelhantes aos da epidemia de 2014, caso medidas urgentes não sejam adotadas.
Segundo balanço divulgado pela OMS neste sábado (6), o número de infectados pelo Ebola chegou a 471 casos confirmados, com 84 mortes registradas na região.
A maior concentração dos casos está na República Democrática do Congo, enquanto a expansão para países vizinhos aumenta a preocupação das autoridades sanitárias.
Ebola já soma 471 casos e 84 mortes
A República Democrática do Congo concentra a maior parte dos registros da doença.
Desde o dia 15 de maio, quando o governo declarou a epidemia, o país contabiliza 452 casos confirmados e 82 mortes.
A situação também preocupa em Uganda, que confirmou 19 casos da doença e duas mortes em áreas de fronteira com o Congo.
A circulação do vírus entre países elevou o nível de monitoramento internacional.
Autoridades temem repetição da epidemia de 2014
Especialistas alertam para o risco de o atual surto atingir uma magnitude semelhante — ou até superior — à da maior epidemia de Ebola já registrada.
“É urgente tomar medidas para conter a propagação deste surto e evitar que ele atinja uma magnitude equivalente, ou até superior”, afirmou Jason Asher, diretor do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças).
Segundo cientistas, modelos matemáticos indicam que o contágio pode crescer rapidamente caso ações eficientes de contenção não sejam implementadas.
Entre 2014 e 2016, a pior epidemia de Ebola da história provocou mais de 11 mil mortes e registrou mais de 28 mil casos, principalmente na África Ocidental.
Cepa rara preocupa cientistas
O atual surto é provocado pela variante Bundibugyo, considerada uma cepa rara do vírus.
Pesquisadores alertam que ainda não existe vacina ou tratamento específico aprovado para combater esse tipo de Ebola.
A transmissão ocorre principalmente por contato próximo com pessoas infectadas ou pela exposição a fluidos corporais contaminados.
Especialistas avaliam que o vírus já circulava silenciosamente antes da identificação oficial pelas autoridades sanitárias.
OMS anuncia força-tarefa internacional
Diante do avanço da doença, a OMS e o CDC África anunciaram uma força-tarefa internacional estimada em R$ 2,65 bilhões para conter o surto.
O plano prevê ações durante os próximos seis meses, com foco em:
- ampliação dos testes laboratoriais;
- fortalecimento da vigilância epidemiológica;
- prevenção de novos contágios;
- resposta rápida em áreas de maior risco.
“A epidemia avança rapidamente e estamos ficando para trás. Trata-se de uma epidemia grave, e sabemos como contê-la, mas devemos agir com rapidez”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.