Ebola gera alerta na África, mas OMS descarta risco global
A Organização Mundial da Saúde classifica o surto na África Central como emergência internacional. O risco de contágio global segue baixo.
- Publicado: 20/05/2026 10:44
- Alterado: 20/05/2026 10:44
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: OMS
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de interesse internacional devido ao avanço do ebola na República Democrática do Congo e em Uganda. A agência informou nesta quarta-feira, 20, que o risco de disseminação da doença é alto na região africana, mas permanece baixo para os demais continentes.
O vírus já provocou mais de 130 mortes suspeitas na África Central. Especialistas da instituição estimam que a transmissão ativa deve durar ao menos mais dois meses. A velocidade do contágio levou a entidade a adotar medidas rigorosas para garantir uma resposta coordenada entre os países.
Cepa rara de ebola preocupa autoridades de saúde
Os testes laboratoriais confirmaram 51 casos nas províncias congolesas de Ituri e Kivu do Norte, além de 2 infecções em território ugandense. O sistema de monitoramento liderado por Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, contabiliza 139 óbitos sob investigação e quase 600 pacientes com sintomas da doença.
A variante responsável pelas infecções recentes é a Bundibugyo, um subtipo incomum que ainda não possui vacina ou tratamento aprovado. O patógeno circulou sem detecção prévia durante semanas pelas comunidades locais. Os exames iniciais buscavam cepas mais recorrentes e apresentavam resultados negativos.
Busca por imunizantes contra o ebola e impactos locais
O aumento acelerado de diagnósticos positivos provocou inflação imediata nos preços de máscaras e produtos desinfetantes no leste do Congo. Equipes de saúde e agências humanitárias trabalham para ampliar as barreiras sanitárias. O objetivo prioritário é conter o ebola antes que alcance centros urbanos mais adensados.
Pesquisadores aguardam remessas de profilaxias experimentais desenvolvidas pela Universidade de Oxford. Os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido preparam o envio dessas doses iniciais ao continente africano nas próximas semanas.
“Os testes devem avaliar a eficácia do imunizante contra a variante atual”, explicou o virologista Jean-Jacques Muyembe.
As equipes médicas estruturam os hospitais de campanha para iniciar a aplicação assim que os lotes pousarem no país. O controle definitivo do ebola depende dessa validação científica e da manutenção do isolamento rigoroso nas províncias afetadas.