É preciso inovar na política e voltar a escutar o povo
Não há dúvidas de que as manifestações de rua continuam trazendo reflexos ao cenário político. Basta ver a recente decisão da Câmara dos Deputados em rejeitar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37, que restringia as investigações criminais apenas à esfera das Polícias Federal e Civil, excluindo o Ministério Público. As mobilizações devem servir de […]
- Publicado: 03/07/2013 17:39
- Alterado: 03/07/2013 17:39
- Autor: Carlos Neder
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Não há dúvidas de que as manifestações de rua continuam trazendo reflexos ao cenário político. Basta ver a recente decisão da Câmara dos Deputados em rejeitar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37, que restringia as investigações criminais apenas à esfera das Polícias Federal e Civil, excluindo o Ministério Público.
As mobilizações devem servir de aprendizado a nós, parlamentares, de que é preciso estar sempre atento às demandas reais da população. Mais que isso, a partir das reivindicações por transporte, que se ampliaram a outros temas, como saúde e educação, fica clara nossa obrigação em auxiliar para que sejam oferecidos serviços públicos de qualidade.
Mas há outro desafio que temos de encarar: a percepção das pessoas, especialmente dos mais jovens, de que os partidos políticos e os mandatos parlamentares não vêm correspondendo às expectativas por mudanças.
Esse não é o momento para oportunismos. Não devemos aproveitar uma situação grave como essa para fazer uma leitura superficial dos acontecimentos e das reivindicações. Aliás, essa separação ficou bem definida por parte das lideranças mais sérias dos movimentos. Elas querem uma agenda permanente de mudanças, mesmo que sem vinculação partidária.
Daí que temos, especialmente os filiados e militantes dos partidos de esquerda, de promover o debate sobre como recuperar o compromisso com o fortalecimento e a luta dos movimentos populares e o atendimento às causas sociais.
Essa discussão é urgente e precisa ser bem feita. Caso contrário, não saberemos como reagir às mobilizações. Pior: não conseguiremos dialogar, de maneira clara, com a sociedade, ficando a reboque de medidas imediatistas, que não trarão solução alguma às reivindicações da população.