Donald Trump endurece regras para obtenção de green card nos EUA
Nova diretriz de Donald Trump exige análise rígida para ajuste de status, impactando vistos de estudante e trabalho para o green card
- Publicado: 23/05/2026 09:25
- Alterado: 23/05/2026 09:25
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: CM Press
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump anunciou, por meio do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS), uma nova diretriz que endurece o processo de transição de vistos temporários para a residência permanente. A medida, oficializada nesta sexta-feira (22), impacta diretamente milhares de estrangeiros que já residem legalmente no país e buscam o chamado “ajuste de status”.
A nova orientação estabelece uma análise significativamente mais rigorosa para imigrantes que entraram nos Estados Unidos com vistos de turista, estudante ou trabalho e desejam solicitar o green card sem deixar o território americano. Na prática, a gestão de Donald Trump sinaliza que muitos desses processos deverão ser concluídos via trâmite consular no país de origem, dificultando a permanência ininterrupta.
Mudanças no ajuste de status e o fim do “atalho”
O cerne da mudança reside na interpretação do ajuste de status. Historicamente, este mecanismo permitia que quem já estava legalmente em solo americano pudesse regularizar sua residência definitiva ali mesmo. Sob a ótica do governo de Donald Trump, essa prática tem sido vista como um desvio da finalidade original dos vistos temporários.
O porta-voz do USCIS, Zach Kahler, reforçou que visitantes devem respeitar estritamente o período e a finalidade autorizados em seus vistos. “A intenção é impedir que categorias temporárias sejam utilizadas como uma espécie de ‘atalho’ para o green card”, declarou Kahler. Com isso, a agência tende a declinar a análise interna de diversos pedidos, transferindo a responsabilidade para consulados e embaixadas.
Impacto para profissionais e estudantes qualificados

A medida atinge em cheio estrangeiros que, ao longo de sua permanência legal, desenvolvem vínculos que dão direito à residência, como oportunidades de investimento ou mérito profissional. O Dr. Vinícius Bicalho, mestre pela Universidade do Sul da Califórnia e especialista em direito migratório, avalia que o cenário traz insegurança jurídica.
“O ajuste de status sempre foi um instrumento legítimo. O que percebemos agora com Donald Trump é uma sinalização mais rígida para verificar se existem, de fato, fatores positivos que justifiquem a conclusão do processo sem que o imigrante precise sair do país”, explica Bicalho.
Para o especialista, o maior receio de profissionais e estudantes é o risco de atrasos e dificuldades de reentrada após o processamento consular no exterior. “Sair dos EUA para concluir o processo pode gerar insegurança e comprometer carreiras e núcleos familiares já estabelecidos”, ressalta o advogado.
Reações e riscos humanitários das novas diretrizes
A decisão não gerou polêmica apenas no campo jurídico-trabalhista. Entidades de direitos humanos, como a ONG HIAS, manifestaram preocupação com os desdobramentos humanitários. A crítica principal é que a diretriz de Donald Trump pode forçar indivíduos vulneráveis, como vítimas de tráfico humano e menores em risco, a retornar a países perigosos apenas para cumprir etapas burocráticas.
Planejamento estratégico torna-se essencial
Diante do aumento da discricionariedade migratória, o planejamento estratégico passou de recomendação a item de sobrevivência para quem deseja viver nos EUA. Embora as modalidades de imigração por investimento e mérito continuem vigentes, o rigor na análise de cada caso foi elevado.
Dr. Vinícius Bicalho alerta que decisões improvisadas podem ser fatais para o sonho americano sob a nova gestão de Donald Trump: “Hoje, mais do que nunca, o imigrante precisa evitar improvisos. A imigração legal continua possível, mas exige uma cautela técnica muito superior diante de um cenário mais rigoroso”, conclui.