Donald Trump impõe 3 condições drásticas ao Irã
O retorno da política de "pressão máxima" de Donald Trump coloca o programa nuclear e a defesa balística do Irã em xeque
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 31/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Donald Trump impõe 3 condições drásticas ao IrãO cenário internacional volta a orbitar em torno da imprevisibilidade característica da diplomacia de Donald Trump. Em sua nova ofensiva de política externa, o presidente americano reacendeu o embate direto com o regime de Teerã, apresentando um ultimato que vai além da questão atômica. Trump agora exige uma reformulação completa da estratégia de defesa iraniana, tocando em pilares que o governo de Masoud Pezeshkian considera inegociáveis.
As imposições da Casa Branca visam desmantelar a infraestrutura que o Irã levou décadas para construir. Para Washington, a contenção do país persa é a única via para estabilizar o Oriente Médio, enquanto para o Irã, as demandas representam uma tentativa de capitulação forçada.
As três exigências cruciais de Washington
A estratégia de Donald Trump está fundamentada em um tripé de restrições que, se aceitas, neutralizariam o poder de dissuasão iraniano:
- Desistência Total do Programa Nuclear: Diferente do acordo de 2015, Trump demanda que o Irã abandone até mesmo o enriquecimento para fins civis (medicina e energia). Teerã rebate afirmando que o enriquecimento é um direito soberano garantido pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
- Fim do Programa de Mísseis Balísticos: Esta é a “pedra no sapato” desde 2018. Trump argumenta que mísseis convencionais podem ser adaptados para ogivas nucleares e exige o desmonte do arsenal, algo que Israel pressiona fortemente por ser o alvo imediato dessas armas.
- Corte de Apoio às Milícias Regionais: O governo americano exige que o Irã cesse o financiamento e suporte logístico ao Hezbollah (Líbano) e grupos xiitas no Iraque e na Síria, o chamado “Eixo de Resistência”.
A resiliência iraniana e a parceria com Moscou
Apesar da retórica de Donald Trump sobre ter causado danos significativos à capacidade militar de Teerã em ataques anteriores, agências de inteligência apontam uma realidade distinta. O programa nuclear iraniano demonstrou uma resiliência notável, mantendo atividades em instalações fortificadas sob o subsolo, imunes a ataques aéreos convencionais.
Outro fator que complica a estratégia americana é o fortalecimento do eixo Irã-Rússia. Há indícios crescentes de que Moscou está fornecendo know-how avançado em tecnologia nuclear e cibernética como pagamento pelo fornecimento de drones e mísseis utilizados no conflito ucraniano. Esse intercâmbio tecnológico blinda o Irã contra o isolamento econômico e diplomático tentado pelos EUA.
O futuro da diplomacia sob coerção
Analistas geopolíticos são céticos quanto a uma solução pacífica no curto prazo. Para o regime iraniano, aceitar as condições de Donald Trump significaria abdicar da própria sobrevivência política doméstica. A legitimidade da República Islâmica está ancorada na independência frente às potências ocidentais.
Ao elevar o tom, Trump busca uma “vitória total”, mas corre o risco de empurrar Teerã para uma militarização definitiva de sua capacidade atômica. O que se observa em 2026 é um jogo de soma zero, onde qualquer recuo é visto como sinal de fraqueza extrema, e qualquer avanço pode ser o estopim para um conflito de proporções globais no Golfo Pérsico.