Donald Trump diz que irá começar ações na Venezuela

Entenda como o governo de Donald Trump intensificou a pressão militar e política contra o regime de Nicolás Maduro

Crédito: Joyce N. Boghosian/FotosPúblicas

O cenário geopolítico entre Washington e Caracas atingiu um novo patamar de tensão. O governo dos Estados Unidos, sob a liderança do então presidente Donald Trump, intensificou publicamente suas acusações contra o regime de Nicolás Maduro, ligando-o diretamente ao chamado Cartel de los Soles, que foi classificado como uma estrutura de narcoterrorismo em março de 2020. Essa designação formal catalisou um aumento significativo na pressão americana, misturando operações militares no Caribe com a diplomacia de ameaças.

Leia mais: Trump retira tarifas de 40% de café, carnes e outros produtos do Brasil

Ação de Graças e a Promessa de Operações Terrestres

A escalada verbal e militar ganhou destaque durante o feriado americano de Ação de Graças. Em uma videochamada realizada na quinta-feira, 26 de novembro de 2020, para agradecer e motivar as tropas americanas, Donald Trump fez uma declaração contundente sobre o futuro das operações antidrogas.

“Quase paramos [o narcotráfico]. Cerca de 85% do tráfico marítimo foi interrompido,” declarou o presidente. No entanto, o foco da estratégia americana está se deslocando. Trump afirmou que os esforços para combater o narcotráfico proveniente da Venezuela não ficariam restritos ao mar e que se expandiriam em breve para operações terrestres. As ações em solo seriam, segundo ele, “mais diretas” e deveriam ser iniciadas em um futuro próximo, sinalizando um perigoso aprofundamento do envolvimento dos EUA na região.

A Intensificação da Campanha Militar Antidrogas

As acusações americanas de narcoterrorismo não são apenas retórica. Desde o lançamento da “Operação de Combate ao Narcotráfico Intensificada” em abril de 2020, a marinha dos EUA promoveu uma série de operações. O texto original indica que ações no Caribe e Pacífico resultaram no ataque a mais de 20 embarcações suspeitas. O balanço dessas incursões, segundo o relato, foi de pelo menos 83 pessoas mortas, o que levanta sérias questões sobre a letalidade das intervenções.

Washington justificou a mobilização de navios de guerra e aeronaves como uma forma de intensificar as operações antidrogas na região. No entanto, o governo venezuelano, sob Maduro, refutou veementemente essas alegações. Caracas classificou a campanha militar dos EUA como um disfarce para uma tentativa de golpe de Estado, cujo objetivo real seria tomar controle das vastas reservas petrolíferas do país. O regime venezuelano foi além, descrevendo as ações militares americanas como “execuções extrajudiciais” e questionando a legalidade e legitimidade das operações promovidas pelo governo de Donald Trump.

O papel secreto da CIA e a ambiguidade do Diálogo

A pressão de Donald Trump sobre a Venezuela possui múltiplas frentes, incluindo o espectro da inteligência. O então presidente confirmou a autorização para ações secretas da CIA dentro do território venezuelano. Essa confirmação adiciona uma camada de complexidade e intriga, indicando que a Casa Branca estava utilizando ferramentas de espionagem e desestabilização clandestinas.

Apesar da postura agressiva e das acusações de narcoterrorismo contra Maduro, Donald Trump introduziu uma nota de ambiguidade diplomática. O presidente indicou que, apesar de tudo, pretendia dialogar com Maduro em algum momento no futuro. Essa oscilação entre intervenção militar, ações secretas da CIA e a possibilidade de diálogo mantém a comunidade internacional em alerta máximo. O governo dos Estados Unidos tem sido criticado, pois, apesar das alegações sobre o narcotráfico, não foram apresentados detalhes concretos que sustentem as afirmações sobre a natureza criminosa das pessoas atacadas nas operações militares, mantendo a controvérsia sobre os objetivos reais da política externa de Donald Trump.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 28/11/2025
  • Fonte: FERVER