Donald Trump anuncia “Conselho da Paz” em Davos

Trump afirma que novo organismo internacional terá foco inicial em Gaza e poderá ampliar atuação para outras regiões em conflito

Crédito: Fotos Públicas/@WEF

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (22), durante participação no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, a criação do chamado “Conselho da Paz”, um novo organismo internacional voltado inicialmente para discutir a situação na Faixa de Gaza. Segundo Trump, a iniciativa nasce com o apoio de 59 países e poderá, no futuro, expandir suas atividades para outros conflitos globais.

De acordo com o presidente norte-americano, o conselho integra o plano de paz de Trump para Gaza e teve sua criação respaldada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. O porta-voz das Nações Unidas, Rolando Gomez, afirmou que o envolvimento da organização se limita ao contexto específico apresentado por Trump.

Durante o discurso em Davos, foi destacado que o objetivo central da proposta é promover a desmilitarização de Gaza e viabilizar um processo de reconstrução em larga escala do território.

Como funcionará o Conselho da Paz proposto por Trump

Trump
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Segundo o regulamento divulgado, Trump ocupará a presidência do Conselho da Paz com mandato vitalício, inclusive após o término de um eventual segundo mandato à frente da Casa Branca. A substituição do presidente do conselho só poderá ocorrer em caso de renúncia voluntária ou incapacidade, mediante voto unânime do Conselho Executivo.

O texto prevê ainda que um futuro presidente dos Estados Unidos poderá indicar um representante para o conselho, desde que a nomeação seja feita em conjunto com o atual presidente do órgão. Os membros terão mandatos de três anos, com a possibilidade de obter uma posição permanente mediante uma contribuição financeira de US$ 1 bilhão.

Relação entre Trump e a ONU gera debate internacional

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A proposta apresentada por Trump levantou questionamentos sobre uma possível sobreposição às atribuições tradicionais da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente americano afirmou que o conselho poderá ampliar seu escopo de atuação, o que gera apreensão entre algumas potências globais.

Apesar disso, Trump declarou que pretende atuar em cooperação com a ONU. “Quando esse conselho estiver plenamente constituído, teremos liberdade para agir conforme desejarmos, e isso será feito em parceria com as Nações Unidas”, afirmou. O presidente acrescentou que, em sua avaliação, o potencial da ONU não tem sido plenamente explorado.

Reação internacional ao anúncio de Trump

Até o momento, nenhum dos outros membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU confirmou adesão formal ao novo conselho proposto por Trump. A Rússia informou que está “analisando a proposta”. A França decidiu não participar da iniciativa, enquanto o Reino Unido afirmou que não pretende integrar o grupo neste momento. A China ainda não se manifestou oficialmente.

No Brasil, o convite feito por Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em avaliação pelo governo. O tema foi discutido em reunião realizada na quarta-feira (21) entre Lula e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Até agora, não há decisão final nem prazo definido para aceitar ou recusar o convite, enquanto o Palácio do Planalto analisa os termos do documento encaminhado à Embaixada do Brasil em Washington.

A iniciativa reforça o protagonismo de Trump no debate internacional sobre Gaza e reacende discussões sobre o papel dos Estados Unidos e das instituições multilaterais na mediação de conflitos globais.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 22/01/2026
  • Fonte: FERVER