Dolly Parton morre aos 80 anos e deixa legado na música
Dolly Parton morreu aos 80 anos nesta terça-feira (25), após décadas de sucessos, cinema, negócios e ações filantrópicas que marcaram gerações
- Publicado: 25/08/2026 16:06
- Alterado: 25/08/2026 16:44
- Autor: Daniela Penatti
A cantora e compositora Dolly Parton morreu aos 80 anos. Ícone da música country, ela construiu uma trajetória que ultrapassou as fronteiras do gênero e também se destacou como atriz, empresária e filantropa.
A morte foi comunicada nesta terça-feira (25) pelo sobrinho Brian Seaver, que trabalhou como chefe de segurança da artista, função anteriormente exercida por seu pai, Larry. Segundo ele, a própria cantora havia pedido que ficasse responsável por anunciar sua morte.
Em uma publicação nas redes sociais, Seaver afirmou que o comunicado reunia sentimentos de orgulho, honra e tristeza. Ele também disse acreditar que a tia estava “nos braços de Jesus”, ao lado do marido, Carl Thomas Dean, dos pais e de outras pessoas queridas.
A causa da morte ainda não havia sido divulgada. Na semana anterior, entretanto, a artista havia contado à revista People que enfrentava uma piora em sua saúde desde a morte do marido, em março do ano passado. Nos meses anteriores, também cancelou apresentações por problemas de saúde.
Dolly Parton construiu um legado de seis décadas
Ao longo de aproximadamente 60 anos de carreira, Dolly Parton afirmou ter escrito mais de 3 mil músicas. Entre as composições que se tornaram clássicos estão “Jolene”, “Coat of Many Colors”, “9 to 5” e “I Will Always Love You”.
A última canção ganhou projeção mundial quando foi gravada por Whitney Houston para o filme “O Guarda-Costas”, lançado em 1992. A composição também se tornou um dos maiores sucessos comerciais da carreira da cantora.
Em seu livro “Songteller: My Life in Lyrics”, publicado em 2020 pela Chronicle Books, ela destacou que gostaria de ser lembrada principalmente como compositora e definiu as músicas como seu legado.
A influência da artista também alcançou nomes de diferentes gerações e estilos, como Johnny Cash, Elton John, Cher, Taylor Swift e Beyoncé. Em 2024, Beyoncé incluiu uma nova versão de “Jolene” no álbum “Cowboy Carter”.
Swift chegou a definir a cantora como uma força de transformação na indústria musical. Para ela, o humor e a personalidade descontraída da artista ajudavam a mostrar que uma mulher poderia ser uma compositora e intérprete respeitada sem abrir mão da diversão.
Carreira começou no Tennessee e chegou a Hollywood
Nascida nas montanhas do Tennessee, no sudeste dos Estados Unidos, Dolly Parton cresceu em uma família numerosa e de origem humilde. Ela relatava ter passado a infância em uma pequena cabana às margens de um rio, onde vivia com os pais e 11 irmãos.
O contato com a música começou ainda na infância, na igreja pentecostal de seu avô. Aos 13 anos, gravou a primeira canção e apareceu no tradicional programa de rádio Grand Ole Opry, onde foi apresentada por Johnny Cash. Anos depois, revelou que o cantor havia sido seu primeiro “crush”.
Depois de concluir o ensino médio, em 1964, mudou-se para Nashville, considerada um dos principais centros da música country. Foi na cidade que começou a ganhar espaço como compositora.
Em 1967, sua carreira como intérprete ganhou novo impulso quando passou a integrar o programa de televisão do cantor Porter Wagoner. Os dois também formaram uma parceria musical responsável por duetos populares, entre eles “The Last Thing on My Mind” e “Please Don’t Stop Loving Me”.
A separação profissional entre os dois acabou inspirando uma de suas músicas mais famosas. Em 1974, ela escreveu “I Will Always Love You”, que posteriormente alcançaria projeção internacional na voz de Whitney Houston.
Em 1977, lançou “Here You Come Again”, seu primeiro álbum a superar a marca de 1 milhão de cópias vendidas. O trabalho aproximou o country do pop e levou a cantora ao topo das paradas do gênero.
Durante os anos 1980, novos projetos ampliaram sua presença na indústria cultural. Ela participou do álbum “Trio”, ao lado de Emmylou Harris e Linda Ronstadt, e escreveu “9 to 5”, música-tema do filme “Como Eliminar Seu Chefe”, de 1980.
A canção rendeu uma indicação ao Oscar. No cinema, ela também atuou na produção, dividindo o elenco com Jane Fonda.
Música, negócios e filantropia marcaram trajetória
Depois de conquistar espaço em Hollywood, a artista voltou suas atenções ao Tennessee. Em 1986, inaugurou o parque temático Dollywood, no condado onde nasceu. O empreendimento posteriormente se transformou em um complexo turístico e passou a ser considerado a maior atração paga do estado, recebendo cerca de 3 milhões de visitantes por ano.
Foi também no Tennessee que ela desenvolveu o Imagination Library, projeto voltado à distribuição gratuita de livros para crianças. A iniciativa, criada a partir da preocupação com o analfabetismo do próprio pai, já distribuiu mais de 200 milhões de livros nos Estados Unidos e em outros países.
O programa fez com que recebesse do pai o apelido de “moça dos livros”, título que, segundo ela, despertava nele ainda mais orgulho do que sua carreira musical.
A atuação filantrópica incluiu outras iniciativas. Em 2020, ela doou US$ 1 milhão para pesquisas relacionadas à vacina contra a Covid-19. Dois anos antes, em 2016, também ajudou a arrecadar mais de US$ 9 milhões destinados a famílias atingidas pelos incêndios florestais na região de Great Smoky Mountains, no Tennessee.
Fora da música, a artista também ficou conhecida pelo visual extravagante e pelo bom humor. Costumava fazer piadas sobre os próprios figurinos, procedimentos estéticos e curvas, transformando comentários sobre sua aparência em parte de sua persona pública.
Uma dessas brincadeiras envolveu a famosa ovelha clonada Dolly, criada em 1997 a partir de células de glândulas mamárias. O animal recebeu o nome em referência à cantora por causa de uma comparação feita pelo biólogo Ian Wilmut, integrante da equipe responsável pelo clone.
Grammy, Rock and Roll Hall of Fame e novos projetos
A carreira rendeu 11 prêmios Grammy, incluindo uma homenagem pelo conjunto da obra. Ela também recebeu indicações ao Oscar, Emmy e Tony, consolidando uma presença que alcançou música, televisão, cinema e teatro.
Mesmo depois de décadas de carreira, a artista continuou conquistando públicos mais jovens. Sua atuação nas redes sociais, os trabalhos audiovisuais e projetos lançados em plataformas de streaming ajudaram a renovar sua popularidade.
A Netflix apresentou o documentário “Here I Am”, a série “Dolly Parton’s Heartstrings”, inspirada nas histórias por trás de suas canções, e um especial de Natal que recebeu um Emmy em 2021.
Em 2022, foi incluída no Hall da Fama do Rock and Roll. Inicialmente, havia recusado o convite, mas acabou aceitando a homenagem. No ano seguinte, lançou “Rockstar”, seu primeiro álbum dedicado ao rock, reunindo participações de artistas como Paul McCartney, Sting, Elton John, Artimus Pyle, Sheryl Crow, Pink e Miley Cyrus.
Madrinha de Miley Cyrus, ela não teve filhos com Carl Thomas Dean, com quem se casou em 1966. O marido morreu em março do ano passado.
Em junho de 2024, anunciou ainda o musical autobiográfico “Hello, I’m Dolly”, escrito em parceria com Maria S. Schlatter. A produção estreou em Nashville em setembro do ano passado e estava prevista para chegar à Broadway no fim deste ano.
Ao longo de sua trajetória, Dolly Parton conseguiu transformar uma infância marcada pela pobreza em uma das histórias mais conhecidas da música americana. Entre sucessos, prêmios, cinema, negócios e iniciativas sociais, construiu uma imagem que ultrapassou o country e se tornou parte da cultura popular dos Estados Unidos.