Dolarização: por que incluir na sua estratégia de investimentos
Dolarização protege seu poder de compra e abre acesso a oportunidades globais
- Publicado: 06/11/2025
- Alterado: 26/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Live Nation
Quando falamos em diversificação de investimentos, muitos pensam apenas em diferentes classes de ativos dentro do mercado brasileiro. No entanto, uma estratégia verdadeiramente robusta precisa ir além: a dolarização de parte do patrimônio não é apenas uma opção, mas uma necessidade para quem busca proteção real e acesso a oportunidades globais.
Um recente estudo da FGV, Impacto Cambial no Consumo dos Brasileiros e a Necessidade de Diversificação Internacional, trouxe dados contundentes sobre essa realidade. A pesquisa revela que o brasileiro deveria investir, no mínimo, 16% de sua carteira em ativos internacionais apenas para proteger seu poder de compra, percentual que pode chegar a 18% para famílias de alta renda.
Mas por que exatamente a dolarização é tão importante? E como implementá-la de forma estratégica em sua carteira?
O impacto invisível do dólar no seu dia a dia
Muitos brasileiros não percebem, mas o dólar afeta diretamente seu custo de vida, mesmo que nunca tenham viajado ao exterior. Aproximadamente 10% dos produtos que consumimos são importados e precificados em dólar: eletrônicos, veículos, combustíveis, medicamentos e até alimentos básicos como o trigo.
Quando consideramos os insumos importados nos produtos nacionais, o impacto médio do dólar pode chegar a 14% do orçamento familiar. Isso significa que, a cada alta expressiva do dólar, seu poder de compra é silenciosamente corroído.
Para ilustrar: nos últimos 10 anos, o dólar teve uma variação média de 22,6% (dados da FGV). Sem proteção cambial, essa volatilidade afeta diretamente o padrão de vida de famílias brasileiras, independentemente da faixa de renda.
Além da proteção: as oportunidades que você está perdendo
A dolarização não se resume apenas a proteger patrimônio. Ela também abre portas para mercados e setores com enorme potencial de crescimento, muitos dos quais têm pouca ou nenhuma representatividade na bolsa brasileira.
Por exemplo, as gigantes de tecnologia conhecidas como FANGs (Meta, Apple, Amazon, Netflix e Google). Entre 2020 e 2024, essas empresas entregaram um retorno médio de 340%, enquanto o Ibovespa avançou apenas 28% no mesmo período.
Além da tecnologia, setores como biotecnologia, semicondutores, inteligência artificial e energias renováveis oferecem oportunidades de crescimento exponencial que simplesmente não estão disponíveis no mercado doméstico.
Quanto do seu patrimônio deveria estar em dólar?
O estudo da FGV traz uma resposta baseada em dados. O percentual mínimo varia conforme a faixa de renda e os hábitos de consumo:
• Classe média-baixa: mínimo de 14% em ativos internacionais
• Classe média: mínimo de 15,5% em ativos internacionais
• Classe média-alta: mínimo de 16,5% em ativos internacionais
• Classe alta: mínimo de 17,5% em ativos internacionais
Esses percentuais consideram três fatores principais: o impacto da inflação importada, os gastos diretos em moeda estrangeira (como viagens e educação) e a volatilidade cambial histórica.
É importante ressaltar que esses são valores mínimos para proteção do poder de compra. Em uma estratégia mais ampla de diversificação e busca por oportunidades globais, o percentual ideal pode ser significativamente maior.
Estratégias práticas para dolarizar seu patrimônio
Existem diversas formas de implementar a dolarização em sua carteira:
1. Investimento direto no exterior
Acesso a ações, ETFs, REITs e bonds americanos via corretoras internacionais. Ideal para investidores de alta renda que buscam controle e maior diversidade.
2. BDRs (Brazilian Depositary Receipts)
Certificados de ações de empresas estrangeiras negociados na B3, com custos locais e sem necessidade de declarar bens fora do país.
3. ETFs internacionais listados na B3
Exemplo: IVVB11 (S&P 500) e USDB11 (renda fixa americana). Uma forma prática de diversificação global.
4. Fundos de investimento com exposição internacional
Alternativa para quem prefere delegar a gestão a especialistas.
O momento atual favorece a dolarização?
Com o dólar operando em torno de R$ 5,40 nos últimos meses, bem abaixo dos R$ 6,20 registrados em dezembro de 2024, temos uma janela de oportunidade para iniciar ou reforçar posições em ativos internacionais.
Historicamente, o dólar tende a se valorizar em momentos de estresse global e instabilidade política. Aproveitar os momentos de baixa é uma estratégia inteligente que pode trazer benefícios no longo prazo.
Conclusão: dolarização como pilar de uma estratégia robusta
A dolarização não é uma moda passageira nem uma estratégia especulativa. Ela é um componente fundamental de qualquer planejamento patrimonial sólido, oferecendo:
• Proteção contra a desvalorização do real e inflação importada
• Acesso a setores e empresas com alto potencial de crescimento
• Diversificação geográfica e política, reduzindo riscos sistêmicos
• Preparação para gastos futuros em moeda estrangeira (educação, viagens etc.)
Como reforça o estudo da FGV: “A exposição ao risco cambial é uma realidade para todos os brasileiros, mesmo que indiretamente. Isso reforça a necessidade de considerar investimentos em ativos que protejam contra a desvalorização cambial, como parte de uma estratégia de diversificação do portfólio.”
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