Dólar sobe levemente após queda e mercado se atenta à desaceleração econômica
Moeda americana se recupera levemente após queda, enquanto investidores se concentram em indicadores econômicos domésticos e na incerteza política em torno da reeleição de Lula.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 17/02/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O dólar apresentou uma leve recuperação nesta segunda-feira (17), após registrar uma queda de 1,21% na última sexta-feira (14), quando foi cotado a R$ 5,696 — o menor valor em três meses. O dólar encerrou a sessão de hoje com alta de 0,26%, cotado a R$ 5,711.
A jornada começou com o dólar oscilando próximo à estabilidade, alcançando uma mínima de R$ 5,695. Durante a maior parte do dia, a moeda teve um desempenho moderadamente positivo, embora tenha fechado em alta. No cenário internacional, a divisa americana apresentava variações misturadas frente às outras moedas.
O dia foi marcado pela escassez de dados econômicos relevantes e pela interrupção dos mercados financeiros americanos devido ao feriado do Dia dos Presidentes. Os investidores se mantiveram atentos às novas informações sobre tarifas impostas pelos Estados Unidos e ao desenvolvimento das conversas para encerrar o conflito na Ucrânia.
Com o ambiente internacional menos agitado, o foco dos investidores brasileiros se voltou para questões domésticas. O destaque ficou por conta do cenário de desaceleração econômica indicado pelo IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), além das projeções contidas no último boletim Focus, que sinalizam uma inflação ligeiramente mais elevada para os anos de 2025 e 2026.
No mercado acionário, a Bolsa encerrou com alta de 0,26%, atingindo 128.552 pontos. O índice permaneceu acima da marca dos 129 mil pontos durante boa parte do pregão, renovando as máximas do ano, impulsionado principalmente pelas ações da Magazine Luiza. A queda na popularidade do presidente Lula, conforme indicado por pesquisa do Datafolha, continuou repercutindo entre os investidores e trouxe otimismo para o mercado.
O boletim Focus também movimentou as expectativas em torno da inflação, cotação do dólar e crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Analistas consultados pelo Banco Central passaram a prever uma inflação final de 5,60% para este ano, ligeiramente acima da expectativa anterior de 5,58%. Este é o 18º aumento consecutivo na projeção. Para 2026, espera-se uma inflação de 4,35%, levemente superior aos 4,30% anteriormente estimados.
A meta de inflação estabelecida pelo Banco Central é de 3%, com uma margem de tolerância que permite variações de até 1,5 ponto percentual. As expectativas para a taxa Selic permanecem em 15% para 2025 e projetam um declínio para 12,50% em 2026.
A previsão é que o dólar encerre tanto 2025 quanto 2026 em R$ 6. O crescimento do PIB brasileiro é estimado em 2,01% para este ano, abaixo da projeção anterior de 2,03%.
Além disso, o IGP-10 (Índice Geral de Preços-10) subiu significativamente em fevereiro, alcançando um aumento de 0,87%, após um avanço anterior de 0,53%. Essa alta foi impulsionada principalmente pelos preços do café no atacado e varejo, segundo informações divulgadas pela FGV (Fundação Getulio Vargas).
Os dados mais recentes do Banco Central indicaram que a atividade econômica brasileira cresceu 3,8% em 2024; contudo, houve um recuo em dezembro desse ano. O IBC-Br apresentou uma redução mensal de 0,7% em dezembro em relação ao mês anterior — um resultado bem abaixo da expectativa que apontava uma queda de apenas 0,4%, conforme pesquisa realizada pela Reuters.
Esse desempenho foi considerado o mais fraco desde maio de 2023 e levou o índice a terminar o quarto trimestre estagnado em comparação aos três meses anteriores. “A economia brasileira está desacelerando; isso não gera dúvidas“, afirmou Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master.
Em meio a esse contexto de desaceleração econômica, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) apresentaram queda significativa. A taxa para janeiro de 2026 registrou um fechamento em 14,67%, ante os ajustes anteriores que estavam em 14,794%. Para janeiro de 2027, a taxa foi ajustada para 14,575%, diminuindo também comparativamente ao ajuste anterior.
Diante deste cenário econômico desafiador, Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, declarou durante um evento matinal que o governo está ciente da desaceleração econômica e que é “natural” que o crescimento para 2025 seja inferior ao observado nos dois anos anteriores.
No plano internacional, os agentes financeiros ficaram atentos às recentes ameaças tarifárias feitas por Donald Trump. No pregão anterior, o dólar caiu significativamente devido ao alívio gerado entre investidores após a decisão do presidente americano adiar tarifas recíprocas sobre seus parceiros comerciais até abril próximo.
A análise sugere que as ameaças tarifárias representam mais uma estratégia negociadora do que ações concretas iminentes; isso abre caminho para possíveis acordos entre os países mencionados pelo presidente dos EUA.
Além disso, essas tarifas podem desencadear uma guerra comercial ampla e ter um efeito inflacionário considerável sobre o custo de vida nos Estados Unidos — um fator que pode complicar os esforços do Federal Reserve na luta contra a inflação e forçar uma manutenção nas altas taxas de juros.
O fortalecimento das taxas de juros nos EUA tende a tornar os títulos do Tesouro mais atraentes globalmente; assim sendo, qualquer moderação nas políticas tarifárias poderia resultar na desmobilização dessas apostas nos treasuries e contribuir para a desvalorização do dólar no Brasil.
As conversas sobre um possível cessar-fogo na guerra entre Rússia e Ucrânia também mereceram atenção por parte dos investidores. Recentemente, Trump contatou tanto Vladimir Putin quanto Volodimir Zelenski com vistas à mediação das negociações. Autoridades norte-americanas devem se reunir com representantes russos na Arábia Saudita nos próximos dias; enquanto Reino Unido e Suécia já manifestaram disposição em enviar forças pacificadoras à Ucrânia caso um acordo seja alcançado.
A guerra completará três anos dentro de uma semana e tem sido um fator determinante nas decisões dos investidores devido ao impacto sobre os preços das commodities globais.
No pregão anterior ao feriado mencionado anteriormente (sexta-feira), as notícias sobre o adiamento das tarifas impulsionaram uma queda acentuada no dólar. As perdas foram acentuadas após as quatro horas da tarde quando dados do Datafolha revelaram que a aprovação do governo Lula havia despencado. A Bolsa também reagiu positivamente à pesquisa subindo mais de 2% após sua divulgação.
Nesta segunda-feira (17), os reflexos da pesquisa continuam afetando os mercados financeiros. A análise aponta que as chances de reeleição do presidente Lula em 2026 estão diminuindo cada vez mais diante deste novo cenário político-econômico.
Muitos analistas agora cogitam a possibilidade de uma mudança política significativa nas eleições vindouras em meio à falta de clareza sobre quem seria um sucessor direto ao cargo presidencial ou se Lula mesmo optará por concorrer novamente.
Conforme mencionado por Alison Correia da Dom Investimentos: “O mercado percebe que se essa situação persistir ou não houver alterações significativas na gestão atual; as probabilidades de reeleição começam a cair.” Além disso ele sugere que talvez haja uma mudança nas atitudes administrativas por parte do presidente diante desta nova realidade política negativa.
Marcelo Bolzan da The Hill Capital enfatizou que nunca houve avaliação tão negativa como agora; resultando na maior reprovação registrada até então; isso trouxe otimismo aos investidores quanto à possibilidade real da não reeleição futura.