Dólar registra queda Frente ao Real, mas acumula alta semanal

Dólar cai frente ao real, mas acumula alta na semana; tensões EUA-China e desempenho das commodities influenciam mercado.

Crédito: Jorge Araujo/Fotos Publicas

O mercado de câmbio viu o dólar à vista apresentar uma queda em relação ao real nesta sexta-feira, impulsionado pela busca dos investidores por ativos de maior risco. Contudo, a moeda norte-americana encerrou a semana com um aumento acumulado, reflexo das crescentes tensões comerciais entre Estados Unidos e China, que alimentam preocupações sobre uma possível recessão econômica global.

Ao final do dia, o dólar à vista registrou uma desvalorização de 0,49%, cotado a R$5,8698. No entanto, ao longo da semana, a moeda americana acumulou uma alta de 0,54%.

No mercado futuro, às 17h17, o contrato de dólar com vencimento mais próximo apresentava uma leve queda de 0,19%, sendo negociado a R$5,888.

A valorização do real foi acompanhada por ganhos similares de outras moedas emergentes em relação ao dólar, como o peso mexicano, o rand sul-africano e o peso chileno. Esses movimentos foram favorecidos pela alta nos preços de commodities internacionais, incluindo minério de ferro e petróleo.

A disposição dos investidores para buscar ativos de risco também foi estimulada pelo desempenho positivo nas bolsas de Wall Street, que refletiram resultados robustos apresentados por grandes bancos e declarações de autoridades do Federal Reserve. Estas garantiram a prontidão da instituição em agir frente a qualquer distorção no sistema financeiro americano.

Após uma semana marcada por perdas significativas entre os mercados emergentes, muitos investidores aproveitaram a oportunidade para realizar lucros e ajustar suas estratégias no final de um período caracterizado por alta volatilidade e incertezas comerciais.

Esse movimento ocorreu apesar da intensificação das tensões na guerra comercial entre EUA e China. Recentemente, a China anunciou um aumento nas tarifas sobre produtos americanos para 125%, como resposta à decisão do presidente Donald Trump de elevar as tarifas sobre importações chinesas para 145%.

Esses desenvolvimentos fazem parte de um ciclo crescente de retaliações tarifárias. Na semana passada, Trump havia proposto uma tarifa de 54% sobre as importações da China, levando Pequim a reagir com uma taxa de 34% sobre produtos norte-americanos. Posteriormente, os EUA impuseram uma tarifa adicional de 104%, provocando mais retaliações chinesas.

De acordo com Eduardo Moutinho, analista do Ebury Bank, essas tensões comerciais têm contribuído para o enfraquecimento do dólar e outros ativos americanos. Ele observou que há um crescente sentimento no mercado que sugere que a economia dos EUA poderá ser negativamente impactada pela disputa comercial.

“A narrativa de ‘vender tudo dos EUA’ ganhou força. Em períodos normais de estresse econômico, os ativos dos EUA costumavam se comportar bem. No entanto, essa dinâmica mudou drasticamente desde a semana passada”, afirmou Moutinho.

Analistas estão apreensivos quanto ao potencial da disputa comercial com a China para reanimar a inflação nos Estados Unidos e provocar uma recessão econômica, considerando a dependência significativa das empresas americanas em relação às importações chinesas.

No início da jornada de negócios desta sexta-feira, o dólar chegou a ser cotado a R$5,8179 (-1,37%) às 9h34 e atingiu sua máxima em R$5,9193 (+0,34%) às 10h34.

Às 17h17, o índice que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas registrou uma queda de 0,66%, fixando-se em 99,861.

No cenário econômico nacional, dados recentes mostraram que a atividade econômica brasileira superou as expectativas em fevereiro, impulsionada pelo setor agropecuário. Isso ocorreu mesmo diante do ciclo de aumento nas taxas de juros e previsões de desaceleração econômica.

Além disso, o IBGE reportou que o IPCA referente ao mês de março desacelerou conforme esperado em relação ao mês anterior, alcançando uma inflação anualizada de 5,48%.

Pela manhã deste dia, o Banco Central anunciou que vendeu toda a oferta disponível de 20.000 contratos de swap cambial tradicional com o objetivo de rolagem do vencimento programado para 2 de maio de 2025.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 15/04/2025
  • Fonte: FERVER