Dólar em queda e Bolsa em alta: mercado reage à derrubada do IOF e incertezas no Fed

Decisão do Congresso brasileiro impulsiona otimismo no mercado, enquanto cenário internacional alimenta desvalorização global da moeda americana

Crédito: Valter Campanato - Agência Brasil

O dólar apresentou forte queda nesta quinta-feira (26), cotado a R$ 5,508 por volta das 13h, com recuo de 0,87%, acompanhando um movimento semelhante nos mercados internacionais.

A valorização do Ibovespa também chamou atenção, com alta de 0,95%, alcançando 137.066 pontos. O principal impulsionador do índice foi a mineradora Vale, que subiu 2,67% com a valorização do minério de ferro na China.

O gatilho para esse otimismo no mercado financeiro foi a derrubada, pelo Congresso Nacional, dos decretos que alteravam as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), em mais uma derrota para o governo Lula.

A Câmara dos Deputados aprovou a medida com 383 votos a favor e 98 contrários, enquanto no Senado a aprovação foi simbólica, sem contagem de votos.

Em resposta, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo avalia judicializar a decisão ou buscar alternativas como corte de gastos ou novas fontes de receita. “Na opinião dos juristas do governo, [a decisão do Congresso] é flagrantemente inconstitucional”, declarou Haddad em entrevista ao videocast C-Level Entrevista, da Folha de S.Paulo.

Inflação abaixo do esperado também influencia mercado

Além do fator político, os dados econômicos divulgados nesta quinta colaboraram para o bom humor no mercado. O IPCA-15 de junho apresentou alta de 0,26%, abaixo da mediana das projeções, que era de 0,3%, indicando uma desaceleração em relação ao índice de 0,36% registrado em maio.

Para o economista sênior do Inter, André Valério, o resultado reforça sinais de arrefecimento das pressões inflacionárias. “Não se pode descartar uma inflação menor que o esperado no segundo semestre”, disse ele, destacando que a reversão está ocorrendo em itens menos sensíveis aos juros.

No entanto, há cautela sobre o impacto da crise política nas metas fiscais. “A preocupação dos investidores é que essa trava na agenda econômica do governo possa dificultar o cumprimento da meta fiscal, forçando uma piora na dívida pública”, avaliou Leonel Mattos, analista da StoneX.

Pressões políticas nos EUA afetam o câmbio global

No cenário internacional, o dólar também recuava em relação a outras moedas fortes. O índice DXY, que compara o desempenho da moeda americana frente a seis divisas relevantes, caía 0,54%, marcando 97,17 pontos.

Esse movimento é influenciado pela possível antecipação da escolha do sucessor de Jerome Powell na presidência do Fed (Federal Reserve). De acordo com o The Wall Street Journal, o ex-presidente Donald Trump pode anunciar a substituição antes mesmo das eleições, em setembro ou outubro, como estratégia para pressionar o atual comando do banco central.

Powell tem mandato até maio de 2026, mas tem sido alvo constante de críticas por parte de Trump, que o acusa de manter os juros altos de forma indevida. O Fed mantém a taxa entre 4,25% e 4,5% desde dezembro.

“A crítica frequente que Trump faz ao Fed traz receios de credibilidade da política monetária e está enfraquecendo o dólar globalmente”, destacou Mattos.

PIB em retração e cautela nos EUA

Os temores sobre a economia americana aumentaram com a revisão para baixo do PIB do primeiro trimestre, que passou de uma queda estimada de 0,2% para uma retração de 0,5% na taxa anualizada. O dado ampliou as incertezas sobre o desempenho da maior economia do mundo, já pressionada pelas políticas comerciais de Trump.

Apesar das tensões políticas e econômicas, o cessar-fogo entre Israel e Irã trouxe algum alívio ao cenário geopolítico, o que também contribuiu para a melhora do sentimento nos mercados globais.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 26/06/2025
  • Fonte: Sorria!,