Dólar em Alta e Bolsa em Queda: Impactos das Políticas de Trump
Investidores aguardam políticas de Trump e reações do Fed em meio a incertezas econômicas.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 08/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Na sessão de quarta-feira, 8 de novembro, o dólar apresentou uma leve valorização de 0,08%, fechando a R$ 6,109. Este movimento ocorre em um contexto de crescente expectativa em relação às políticas econômicas do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que assumirá o cargo em 20 de janeiro.
Os investidores estão atentos às possíveis diretrizes que o novo governo americano pode adotar em relação às economias globais. Enquanto isso, a bolsa brasileira registrou uma queda expressiva de 1,27%, alcançando 119.624 pontos.
A semana tem sido marcada por incertezas sobre as tarifas que Trump planeja impor sobre produtos importados. Na segunda-feira, uma reportagem do The Washington Post informou que assessores do presidente eleito estavam considerando taxar apenas setores críticos para a economia americana. Essa possibilidade, um desvio da retórica mais agressiva utilizada durante a campanha eleitoral, gerou um aumento na confiança dos investidores e levou à queda do dólar em dois dias consecutivos.
No entanto, Trump rapidamente refutou essa informação. Em uma nova atualização nesta quarta-feira, a CNN noticiou que o republicano está avaliando a possibilidade de declarar uma emergência econômica nacional como justificativa legal para a imposição de tarifas tanto sobre aliados quanto adversários comerciais.
Esse ato permitiria a implementação de um novo regime tarifário sob a Lei de Poderes de Emergência Econômica Internacional, que confere ao presidente autoridade para regular importações. Fontes familiarizadas com o tema indicaram que a discussão sobre essa declaração está sendo levada a sério. “Nada está fora da mesa”, afirmou uma dessas fontes.
Durante sua campanha, Trump prometeu aplicar tarifas globais de 10% nas importações, além de taxas mais altas sobre produtos provenientes da China (60%) e do Canadá e México (25%). Essas propostas são vistas como potencialmente inflacionárias, o que poderia levar o Federal Reserve (Fed) a manter taxas de juros elevadas. Tal cenário poderia resultar em um aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, tornando o dólar mais atrativo.
Na ata da última reunião do Fed, divulgada na tarde desta quarta-feira, os dirigentes expressaram uma expectativa de que a inflação se mova em direção à meta de 2%. Contudo, eles reconheceram que as implicações das mudanças nas políticas comerciais e migratórias poderiam prolongar esse processo. Além disso, alguns membros levantaram preocupações sobre a possibilidade de uma estagnação no processo desinflacionário.
Recentemente, o Fed cortou as taxas em 0,25 ponto percentual na reunião de dezembro passado, estabelecendo-as na faixa entre 4,25% e 4,50%. Um relatório recente revelou um aumento inesperado no número de vagas abertas para emprego em novembro, indicando que o mercado de trabalho permanece robusto apesar da desaceleração gradual.
Uma pesquisa também revelou que o setor de serviços – responsável por dois terços da economia americana – voltou a apresentar crescimento acelerado em dezembro. Esses dados sustentam as expectativas de que o Fed poderá moderar seu ritmo de afrouxamento monetário nas próximas reuniões, com uma probabilidade de 95% das autoridades optarem por manter os juros inalterados neste mês.
“Esses dados – um mercado de trabalho mais dinâmico e um setor de serviços aquecido – sugerem que o Federal Reserve não terá muita margem para novos cortes nas taxas”, afirmou Leonel Mattos, analista da StoneX.
No Brasil, o foco permanece na política fiscal do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou em entrevista recente que espera um déficit primário de 0,1% do PIB para 2024. Entretanto, esse dado não inclui os gastos decorrentes das enchentes no Rio Grande do Sul, que foram excluídos da meta fiscal após autorização do Congresso Nacional. Se esses gastos fossem considerados, o déficit projetado subiria para 0,37% do PIB.
Haddad destacou que após dez anos sem ajustes adequados na economia brasileira, está sendo implementado um ajuste estrutural significativo. Ele também observou um exagero das expectativas do mercado quanto à deterioração das perspectivas econômicas nacionais e previu uma estabilização no nível cambial.
“Atualmente, observamos uma valorização do dólar em nível global e acreditamos que sentiremos os efeitos disso no Brasil”, afirmou Haddad. “Entretanto, considero que houve exageros por parte do mercado em relação à situação econômica brasileira”, completou.
Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, corroborou essa visão ao afirmar que a reação negativa do mercado frente aos dados recentes sobre crescimento econômico e inflação foi excessiva e levou a distorções nas avaliações tanto no câmbio quanto na bolsa.
A moeda brasileira enfrentou significativa desvalorização no final do ano anterior devido a preocupações relacionadas à responsabilidade fiscal do governo e à sustentabilidade da dívida pública. Essa instabilidade provocou uma forte saída de dólares do país e levou o Banco Central a intervir no câmbio. No total, a moeda nacional acumulou uma queda aproximada de 27% em relação ao dólar durante esse período.