Dólar despenca no pós-Carnaval para R$5,7558 com sinais de desaceleração dos EUA
Na última sexta-feira, o dólar havia registrado uma alta significativa de 1,50%, alcançando R$5,9165
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 05/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
No encerramento das negociações nesta quarta-feira, o dólar apresentou uma queda acentuada em relação ao real, situando-se novamente na faixa de R$5,75. Este movimento de desvalorização do dólar reflete um ajuste nos preços, alinhado à recente diminuição da moeda americana no mercado internacional e aos sinais de desaceleração econômica dos Estados Unidos, que ocorreram enquanto o Brasil estava em período de Carnaval.
A sessão de negociação foi limitada à parte da tarde da Quarta-Feira de Cinzas, onde a cotação do dólar à vista registrou uma desvalorização de 2,72%, encerrando o dia em R$5,7558, representando uma redução de 16 centavos em comparação ao fechamento anterior na sexta-feira. Desde o início do ano, a moeda norte-americana acumulou uma perda de 6,85%.
Às 17h04, no ambiente da B3, o contrato de dólar para abril – atualmente o mais negociado – apresentava uma queda de 2,03%, sendo cotado a R$5,7900.
Na última sexta-feira, o dólar havia registrado uma alta significativa de 1,50%, alcançando R$5,9165 – a maior cotação de fechamento desde 24 de janeiro. Este aumento foi impulsionado por investidores que buscavam proteção na moeda americana antes do feriado prolongado do Carnaval, que resultou no fechamento do mercado nos dias anteriores.
Com a retomada das operações na quarta-feira à tarde, observou-se uma pressão descendente sobre o dólar. Parte das posições compradas foi desfeita, acompanhando a tendência global de desvalorização da moeda americana.
O economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, destacou que existe um movimento significativo no cenário econômico dos EUA. Ele mencionou que diversas métricas indicam uma desaceleração robusta na economia americana. “Medidas como cortes fiscais e demissões em massa no setor público estão contribuindo para esse panorama”, afirmou Gala. “Essa situação pode impactar o dólar, especialmente com a expectativa de que o Federal Reserve poderá reduzir as taxas de juros ainda este ano.”
Dados recentes corroboram essa análise. O Relatório Nacional de Emprego da ADP divulgou que apenas 77.000 novos postos foram criados no setor privado dos EUA em fevereiro – um número consideravelmente inferior às expectativas que eram de 140.000 vagas segundo pesquisa realizada pela Reuters.
A diminuição do valor do dólar também ocorre em um contexto mais amplo de preocupação com os efeitos das políticas tarifárias dos EUA sobre a inflação e suas repercussões nos juros e na própria moeda americana. As novas tarifas de importação de 25% sobre produtos provenientes do México e Canadá começaram a valer na terça-feira, além da imposição de taxas sobre produtos da China.
Contudo, durante a tarde desta quarta-feira, a Casa Branca anunciou que o presidente Donald Trump concederá um mês de isenção tarifária para automóveis importados ao abrigo do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). Essa medida representa mais um passo em direção ao alívio nas tarifas aplicadas pelos EUA.
O especialista em câmbio da Manchester Investimentos, Nicolas Gomes, comentou sobre a situação atual: “Embora ainda se observe um fortalecimento do dólar devido à crença de que as tarifas dos EUA serão inflacionárias, os dados recentes demonstram um enfraquecimento da economia americana.” Ele ressaltou que embora exista a teoria tradicional que liga inflação e fortalecimento do dólar, os números atuais podem indicar uma diminuição no valor da moeda americana.
Perto do fechamento do mercado à vista brasileiro às 16h57, o dólar atingiu sua mínima do dia ao ser cotado a R$5,7528 (-2,77%). No cenário internacional, o dólar continuava a apresentar queda frente à maioria das outras moedas globais – incluindo pesos do México e dólares canadenses – ambos afetados pelas tarifas impostas pelo governo Trump. Às 17h16, o índice do dólar, que avalia seu desempenho em relação a uma cesta composta por seis moedas principais, mostrava uma redução de 1,19%, situando-se em 104,310.