Dólar cai e Bolsa dispara após dados de inflação Brasil e EUA
Dólar cai e Ibovespa sobe: O impacto da inflação nos EUA e Brasil revela novas oportunidades no mercado financeiro.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 12/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Na terça-feira, dia 12, o dólar apresentou uma significativa queda, refletindo a reação dos investidores aos recentes dados de inflação tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos. Às 15h55, a moeda norte-americana estava cotada a R$ 5,391, com uma desvalorização de 0,94%, alcançando seu menor patamar desde junho de 2024.
A movimentação da moeda brasileira se alinha ao que ocorre no cenário internacional, onde o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis outras moedas fortes, registrou uma baixa de 0,40%, situando-se em 98.111 pontos.
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O mercado acionário também teve um desempenho positivo neste dia, com o Ibovespa apresentando um crescimento de 1,82%, alcançando os 138.093 pontos. Esse movimento foi impulsionado em grande parte pela valorização superior a 10% das ações da Sabesp, após a companhia divulgar um lucro líquido de R$ 2,13 bilhões referente ao segundo trimestre deste ano.
Além disso, o BTG Pactual também se destacou na bolsa, com um aumento superior a 12% nas suas ações após reportar um lucro de R$ 4 bilhões.
A dinâmica do dia foi amplamente influenciada pelos dados de inflação divulgados por ambos os países. O Escritório de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos anunciou que o índice de preços ao consumidor subiu 0,2% em julho, após um aumento de 0,3% registrado em junho. No acumulado dos últimos doze meses, a inflação ficou em 2,7%, ligeiramente abaixo da expectativa de alta de 2,8% prevista por analistas consultados pela Reuters.
Notavelmente, quando analisado o núcleo do índice — que exclui os componentes mais voláteis como alimentos e energia — houve uma alta de 0,3%, a maior desde janeiro. Em termos anuais, essa variação foi de 3,1% em julho, comparado a 2,9% em junho.
Esses resultados reforçam as expectativas no mercado sobre a possibilidade de que o Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, retome os cortes nas taxas de juros na próxima reunião programada para setembro. De acordo com dados da LSEG, as probabilidades para uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa estão em torno de 90%.
Leonel Mattos, analista da StoneX, destacou que as perspectivas de cortes nas taxas pelo Fed tendem a enfraquecer o dólar em escala global. Ele ressaltou: “A expectativa por taxas mais altas no Brasil e as apostas por cortes nos Estados Unidos reforçam o diferencial das taxas de juros brasileiras“.
Por sua vez, os dados do IBGE indicaram que a inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), atingiu 0,26% em julho — a menor taxa registrada para esse mês desde 2023. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado financeiro que previam uma mediana de 0,36%, variando entre 0,30% e 0,39%.
Com isso, o IPCA desacelerou para 5,23% nos últimos doze meses até julho. Essa taxa era anteriormente de 5,35% até junho e marca o primeiro estouro da meta contínua de inflação desde que este modelo foi implementado no Brasil.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, alertou que apesar do resultado ter sido melhor do que o esperado, a inflação ainda está distante da meta estabelecida pelo Banco Central. Ela afirmou: “As projeções para cortes na taxa de juros pelo Banco Central continuam voltadas para o fim do ano e nossa taxa deve permanecer elevada“.
No contexto nacional, os investidores permanecem atentos ao plano emergencial relacionado às tarifas impostas pelo governo Trump sobre as importações brasileiras e as negociações tarifárias entre as nações. O governo Lula deve anunciar um plano para auxiliar as empresas afetadas por essas tarifas ainda nesta terça-feira.
Fontes da Folha noticiaram que o Executivo está considerando condicionar empréstimos a juros mais baixos à manutenção dos empregos nas empresas beneficiadas. Isso significa que os empresários não poderão demitir funcionários caso tenham acesso a esse tipo de crédito.
O pacote também incluirá medidas como o diferimento dos impostos federais — ou seja, adiamento no pagamento desses tributos — visando proporcionar alívio financeiro nesse período inicial após a implementação das tarifas. A proposta é que esse adiamento não ultrapasse 90 dias para concentrar seus efeitos financeiros neste ano. As novas tarifas entraram em vigor na quarta-feira passada.
A abordagem diplomática também é parte importante da estratégia do governo brasileiro para buscar acordos com os Estados Unidos; no entanto, iniciativas anteriores não têm sido bem-sucedidas até agora. O ministro Fernando Haddad informou que sua reunião agendada com Scott Bessent — secretário do Tesouro dos EUA — foi cancelada.
Haddad atribuiu essa situação à influência de grupos extremistas ligados à Casa Branca e citou especificamente Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está atualmente nos Estados Unidos.
Eduardo Bolsonaro tem se engajado em uma campanha ativa em Washington buscando pressionar por medidas contra o STF (Supremo Tribunal Federal), que está avaliando questões relacionadas ao seu pai no contexto das tentativas golpistas ocorridas em 2022.
Diante da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro e sua proximidade com Donald Trump, existe a possibilidade real de novas sanções serem impostas ao Brasil pelos Estados Unidos. Eduardo mencionou ao Financial Times: “Sei que [Trump] tem várias opções sobre a mesa“, incluindo sanções adicionais e restrições comerciais.
Enquanto isso não se concretiza nas negociações entre Brasil e EUA, o governo Lula procura estabelecer novas relações comerciais. Na segunda-feira passada (11), Lula manteve uma conversa produtiva com Xi Jinping por cerca de uma hora para discutir a conjuntura internacional e as iniciativas pela paz entre Rússia e Ucrânia.
De acordo com informações divulgadas pelo Planalto após a conversa entre os líderes, ambos concordaram sobre a importância do G20 e dos BRICS na promoção do multilateralismo global.
Xi Jinping teria afirmado que “a China está disposta a trabalhar junto ao Brasil para exemplificar unidade e autossuficiência entre os países do Sul Global“.
No cenário internacional mais amplo, China e Estados Unidos chegaram a um novo acordo prorrogando por mais 90 dias as tarifas comerciais entre si. Essa pausa tarifária estava prevista para expirar nesta terça-feira; no entanto, o governo Trump já havia sinalizado anteriormente sobre a possibilidade dessa prorrogação.
Deste modo, produtos chineses continuam sujeitos à tarifa de 30% ao entrarem nos EUA enquanto produtos americanos têm uma carga tarifária de 10% quando são importados pela China.