Dólar avança a R$ 5,73 com novas tarifas de Trump
O dólar subiu em 26 de março, influenciado por tarifas dos EUA. Brasil alerta sobre impactos nas relações comerciais e acompanha o Fed e julgamentos do STF.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 26/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
O dólar fechou a sessão desta quarta-feira, 26 de março, em alta, em um dia marcado por uma agenda econômica relativamente vazia no Brasil, o que levou os investidores a focarem suas atenções no cenário internacional.
No centro das discussões do mercado financeiro estavam as repercussões da política tarifária rigorosa do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Um dos principais destaques foi a possibilidade de que o governo americano venha a impor tarifas sobre as importações de cobre em um futuro próximo, antecipando-se ao prazo de 270 dias estipulado para que um relatório sobre o tema fosse apresentado pelo Departamento do Comércio.
Inicialmente, Trump havia sinalizado a intenção de estabelecer uma tarifa de até 25% sobre todas as importações desse metal. Em um novo desenvolvimento, a Casa Branca comunicou que novas tarifas sobre automóveis seriam anunciadas por Trump, com previsão inicial para o dia 2 de abril, embora detalhes adicionais ainda não tenham sido divulgados.
Nos últimos dias, a percepção dos investidores tem se concentrado na expectativa de que as tarifas comerciais anunciadas por Trump afetem um número restrito de países, com foco em Canadá, México, Japão e União Europeia. Contudo, a incerteza quanto a uma potencial guerra comercial persiste, especialmente diante da possibilidade de um novo pacote tarifário abrangendo todos os parceiros comerciais dos EUA. Há indícios de que países com os quais os EUA mantêm superávits comerciais podem ser isentados dessas tarifas.
Em uma recente declaração feita na segunda-feira, 24 de março, Trump reafirmou que nos próximos dias serão reveladas tarifas direcionadas ao setor automotivo e outros produtos. Em resposta às iniciativas tarifárias dos EUA, o governo brasileiro expressou preocupações significativas em um documento protocolado junto às autoridades americanas. O Brasil alertou que essas tarifas poderiam “comprometer gravemente” as relações comerciais entre as duas nações e solicitou à Casa Branca que priorizasse o diálogo e a cooperação ao invés de impor restrições unilaterais.
O governo brasileiro enfatizou que a postura dos EUA pode violar compromissos estabelecidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), citando dados do comércio bilateral e mencionando as tarifas já aplicadas ao aço brasileiro. Além disso, o Brasil levantou a questão das possíveis tarifas recíprocas sobre etanol.
A par dessa situação internacional, o mercado financeiro também monitorou atentamente as declarações dos dirigentes do Federal Reserve (Fed) em busca de pistas sobre futuras movimentações na taxa básica de juros nos Estados Unidos. Os presidentes das filiais do Fed em Minneapolis e Saint Louis foram ouvidos pelos investidores na quarta-feira.
No encontro mais recente do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), realizado na semana passada, o Fed optou por manter a taxa básica de juros inalterada na faixa entre 4,25% e 4,5% ao ano. Essa foi a segunda reunião consecutiva em que a autoridade monetária decidiu não alterar os juros, seguindo um ciclo anterior de cortes consecutivos iniciado em setembro do ano passado.
Com um cenário econômico caracterizado por desaceleração e pressões inflacionárias moderadas, o Fed indicou sua intenção de reduzir os juros básicos em até 0,5 ponto percentual até o final deste ano.
Enquanto isso, em um dia com poucos indicadores econômicos relevantes no Brasil, o mercado também ficou atento aos desdobramentos do julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou réus por unanimidade o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados. A aceitação da denúncia pela corte dá início a uma nova fase processual onde depoimentos e provas serão apresentados.
Os réus enfrentam acusações graves relacionadas à suposta tentativa de golpe para manter Bolsonaro no poder após as eleições de 2022. Este processo promete ter implicações significativas tanto no cenário político quanto econômico nacional.