Com o inverno, doenças respiratórias aumentam entre idosos no Brasil
Influenza A supera covid-19 como principal causa de mortes
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 03/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Com a chegada do inverno, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou dados alarmantes sobre o aumento de doenças respiratórias no Brasil. Entre essas, a influenza A tem se destacado, superando a covid-19 como a principal causa de morte por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre os idosos.
Até o início de maio, foram registrados 24.571 casos de hospitalização por SRAG em todo o país. Desses, aproximadamente 50% estavam relacionados ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR) nas quatro semanas anteriores, sendo que 11% das mortes também foram atribuídas a esse vírus, conforme aponta o Boletim Epidemiológico InfoGripe da Fiocruz. O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alberto Chebabo, explicou os motivos que tornam os idosos mais vulneráveis a agravos respiratórios.
“À medida que as pessoas envelhecem, o sistema imunológico apresenta uma redução na eficácia ao enfrentar infecções. Essa diminuição na defesa imunológica torna os idosos mais suscetíveis a complicações graves decorrentes de doenças respiratórias, mesmo aquelas que normalmente afetam crianças”, comentou Chebabo.
Além disso, muitos idosos convivem com doenças crônicas, como cardiopatias, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), asma e diabetes. Essas condições aumentam significativamente o risco de complicações quando há infecção por vírus respiratórios, podendo resultar em descompensações cardíacas e hospitalizações prolongadas.
Os sintomas do VSR em idosos frequentemente são confundidos com resfriados comuns e podem rapidamente evoluir para quadros severos. Em casos extremos, essa infecção pode levar à morte, conforme ressaltou o especialista.
Um estudo realizado pela Fiocruz revelou que a taxa de letalidade do VSR entre idosos no Brasil atingiu 26% no período de 2013 a 2023, uma taxa que é 20 vezes maior do que a observada em crianças. Além disso, idosos com insuficiência cardíaca têm um risco de hospitalização pelo VSR até 33 vezes maior do que aqueles sem essa condição.
Mesmo após a alta hospitalar, cerca de um terço dos idosos internados devido a vírus respiratórios relatam dificuldades para realizar atividades diárias, evidenciando o impacto negativo dessas infecções na qualidade de vida e na autonomia dessa faixa etária.
No contexto das medidas preventivas para a população idosa durante as épocas mais frias do ano, a vacinação se destaca como uma das estratégias mais eficazes. “Além da imunização, práticas preventivas aprendidas durante a pandemia continuam essenciais: lavagem frequente das mãos, uso de máscaras em caso de sintomas gripais, ventilação adequada dos ambientes e evitação de aglomerações e contato com pessoas doentes”, acrescentou Chebabo.