Doenças neurológicas matam 11 milhões por ano, diz OMS
Relatório da Organização Mundial da Saúde revela que 42% da população mundial já sofre com o problema.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 14/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
Um novo e alarmante relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado nesta terça-feira (14), revela um cenário preocupante: as doenças neurológicas já são responsáveis por 11,8 milhões de mortes anuais em todo o mundo. Segundo o levantamento, condições como Acidente Vascular Cerebral (AVC), Alzheimer e enxaqueca afetam hoje 42% da população global.
Os dados, que fazem parte do estudo Carga Global de Doenças de 2021, posicionam os distúrbios neurológicos como a principal causa de doenças neurológicas e incapacidades no mundo. O impacto é medido não apenas em vidas perdidas, mas também em 435 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade (Dalys), refletindo a severa perda de qualidade de vida para bilhões de pessoas.
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As principais causas de morte e incapacidade
O estudo analisou 37 condições distintas, mas dez delas se destacam como as mais letais e incapacitantes. A lista inclui:
- AVC
- Encefalopatia neonatal
- Enxaqueca
- Alzheimer e outras demências
- Neuropatia diabética
- Meningite
- Epilepsia idiopática
- Complicações do parto prematuro
- Transtorno do Espectro Autista (TEA)
- Cânceres do sistema nervoso
Por que os casos de doenças neurológicas estão aumentando?
De acordo com Diogo Haddad, neurologista do Hospital Nove de Julho, o aumento dos diagnósticos de doenças neurológicas está ligado a múltiplos fatores. Primeiramente, o aumento da expectativa de vida da população. “Além disso, estamos diagnosticando melhor e, como as doenças infecciosas estão mais controladas, as condições crônicas ganham mais destaque nas estatísticas“, explica.

Contudo, fatores de risco modificáveis desempenham um papel crucial. Condições como pressão alta, diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e má alimentação são determinantes. Fatores ambientais, como a poluição do ar, também contribuem para o agravamento do cenário.
“Metade dos pacientes com diabetes pode desenvolver algum tipo de neuropatia. Isso mostra como as doenças crônicas estão influenciando o cenário neurológico“, afirma Haddad. O especialista também aponta que a falta de serviços especializados dificulta o diagnóstico e tratamento de condições infantis, como o autismo.
Falhas no sistema de saúde e desigualdade no acesso
O relatório da OMS expõe uma grave lacuna na atenção global dedicada ao problema. Apenas 53% dos países-membros forneceram dados para o estudo, e menos de um terço possui uma política nacional para lidar com o impacto crescente das doenças neurológicas.
Além da falta de políticas públicas, o acesso a cuidados essenciais é extremamente desigual. A escassez de neurologistas é gritante, especialmente em países de baixa renda, onde os serviços se concentram quase exclusivamente em grandes centros urbanos. No Brasil, a realidade não é diferente. “Ainda há grande desigualdade regional no acesso a neurologistas e exames no Brasil“, lamenta Haddad.
Para o médico, a expansão da teleneurologia e o fortalecimento da neurologia pediátrica são medidas urgentes. O relatório também destaca a vulnerabilidade dos cuidadores — em sua maioria mulheres não remuneradas —, que raramente recebem apoio legal ou acesso a serviços de suporte.
Em resposta a este cenário, a OMS destaca um plano de ação global adotado em 2022, que busca priorizar as doenças neurológicas nas agendas políticas, ampliar o acesso a tratamentos, promover a saúde cerebral e fortalecer os sistemas de monitoramento.