Documentário ‘Não Existe Almoço Grátis’ estreia nos cinemas
Documentário acompanha três mulheres do MTST que preparam refeições em Cozinha Solidária no Sol Nascente durante posse presidencial
- Publicado: 02/09/2026 15:26
- Alterado: 02/09/2026 15:26
- Autor: Daniela Ferreira
O documentário Não Existe Almoço Grátis, dirigido pelos cineastas Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, chega ao circuito comercial de cinemas na quinta-feira (3). Com distribuição assinada pela Descoloniza Filmes e classificação indicativa de 10 anos, a produção reflete sobre o papel da solidariedade, da segurança alimentar e da organização coletiva diante da desigualdade social brasileira.
O circuito inicial de exibições abrange salas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Cuiabá, Fortaleza, João Pessoa, Penedo, Poços de Caldas, Porto Alegre e Salvador.
Fome, Solidariedade e a Posse Presidencial
A obra tem como pano de fundo as consequências socioeconômicas e o agravamento da fome no Brasil durante e após o período mais crítico da pandemia de Covid-19. Nesse contexto de omissão de políticas públicas, o filme acompanha a iniciativa do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) na estruturação de dezenas de Cozinhas Solidárias pelo país.
O enredo acompanha de perto a realidade de uma dessas cozinhas, instalada na comunidade Sol Nascente considerada a maior favela do Brasil, no Distrito Federal, a apenas 30 quilômetros do centro do poder político nacional. A narrativa foca no desafio de três mulheres negras e coordenadoras do projeto: Bizza, Jurailde e Socorro. Juntas, elas recebem a missão de coordenar a alimentação de centenas de militantes que viajaram a Brasília para acompanhar a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 1º de janeiro de 2023.
Ao documentar a força-tarefa logística e culinária durante a emblemática transição democrática, o filme mergulha na trajetória das protagonistas.
“Costurando relatos íntimos ao registro vivo e em movimento da força da organização coletiva, o filme é um manifesto contra as máximas neoliberais da meritocracia, do individualismo e do lucro. Sua linguagem visual e sonora marca o contraste da desigualdade social no Distrito Federal, fazendo de Brasília uma personagem símbolo de injustiças a serem superadas”, definem os diretores Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel.
Recepção da Crítica e Premiada Trajetória
Antes de chegar ao grande circuito, Não Existe Almoço Grátis construiu uma trajetória premiada nos principais festivais de cinema do país. A obra foi aclamada com o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular no 56º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (que também lhe rendeu Menção Honrosa do Júri Oficial) e na 13ª Mostra Ecofalante de Cinema. O documentário acumulou ainda o Prêmio Destaque na 21ª Mostra do Filme Livre e uma Menção Honrosa no 31º Festival de Cinema de Vitória.
O crítico Luiz Fernando Zanin Oricchio, do jornal O Estado de S. Paulo, destacou o poder de humanização da obra. “O documentário aponta sua câmera para o oposto da visão mercantil da sociedade: São histórias de vida muito bonitas que nos ajudam a pôr os pés no chão e nos descentram das inquietações da classe média”, avaliou.
O achatamento visual entre o centro político e a periferia também foi elogiado. Vincent Sesering, do Cine Set, apontou que “a direção enquadra a favela do Sol Nascente aproximando as torres do Congresso Nacional”, unindo povo e política e reafirmando a força das trabalhadoras.
Sessão Especial com Debate no Rio de Janeiro
Para marcar a estreia, o filme contará com uma exibição especial seguida de debate na quinta-feira (3), às 21h, no Cine Estação Claro Rio, localizado na Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo.
A conversa pós-sessão reunirá os diretores Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, e a deputada estadual e coordenadora do MTST, Ediane Maria. O encontro será mediado pela chef e pesquisadora Aline Chermoula. Uma sessão nos mesmos moldes também está sendo programada para a cidade de Salvador, com data a ser divulgada em breve pela distribuidora.