Documentário conta a história da artista plástica que vive em Diadema

Curta-metragem intitulado “Ordalina Candido: Eu sou o Povo”, conta a história de Candido: educadora social, artista plástica e articuladora comunitária

Crédito: Diaulas Ullysses

Por meio de um curta-metragem, intitulado “Ordalina Candido: Eu sou o Povo”, a artista plástica terá sua história documentada e compartilhada. Para isso, dando continuidade ao processo de produção, neste final de semana acontecerá mais um dia de filmagem para o documentário que será lançado em 27 de agosto deste ano.

O filme tem como fio norteador os bairros do Eldorado e Inamar – Diadema. Localidades que abarcam grande parte da história de Ordalina como pintora e articuladora social. O recorte proposto se caracteriza fundamentalmente pela investigação e análise documental sobre a vida e obra da artista plástica negra, que mesmo tendo uma vida com muitos altos e baixos, descobriu na arte seu legado. As cenas perpassam por seu trabalho sociocultural inovador e inspirador, realizado como professora e orientadora em artes plásticas, utilizando materiais recicláveis que eles recolhem nas ruas onde moram.

O projeto foi contemplado pelo edital 01/2015 0 Fundo Municipal de Cultura de Diadema e tem como diretores Isabelli Gonçalves e Diaulas Ullysses. Ainda neste ano, o documentário circulará na cidade de Diadema com um programa que une a exibição do filme, exposição e roda de conversa sobre questões étnicas, artes e trabalho social.

A ARTISTA E SUA OBRA 
Ordalina Candido, 73 anos, tornou-se referência de apoio e inspiração na região de Diadema por meio dos seus trabalhos nas áreas de Artes Plásticas e Cabeleireiro. Como principal ação está o incentivo para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, a partir de aulas, produção de atividades culturais, auxílio a famílias, exposições abordando o respeito com a diversidade e o cotidiano da favela. Como artista plástica possui trabalhos em Portugal, Noruega, Inglaterra, Dinamarca, Suíça, Austrália, França e Canadá, suas pinceladas abordam como tema principal as Favelas, descritas pela mesma como o Quilombo urbano. 

No Brasil expôs em diversos espaços, entre eles: Universidade Pontifícia Católica – PUC – São Paulo com as “Favelas palco dos Sonhos” em 2002; Exposição Brasil 500 anos realizada na Sede do PoupaTempo Santo Amaro – Governo do Estado de São Paulo; na faculdade Mackenzie em dezembro de 2003; No Metrô República em 2005; Exposição Beneficente na Inglaterra – através da entidade CARF-UK; Centro Cultural Eldorado em 2003 e 2011.

Nasceu no Paraná, onde enfrentou diversas dificuldades por conta de sua pele negra e sua origem humilde, entretanto, sempre teve como meta aprender e ser feliz, assim iniciou nas artes com seus 16 anos de idade e com o passar do tempo foi se aprimorando, com o sonho de se tornar uma pintora profissional.  Em 1962 trabalhou na antiga FEBEM, atual fundação CASA; anos após na Galeria 24 de Maio como trançadeira; até o momento que abriu o seu próprio salão na comunidade do Inamar na cidade de Diadema. Em 2003 começou a trabalhar em um projeto com crianças em situação de rua, interligado a ACER – Associação de Apoio a Criança em Risco e RCBF – Rede Cultural Beija-Flor, onde ensinava o cabeleireiro – com referências aos cabelos afros – e as artes plásticas, ambas utilizadas como ferramentas para a recuperação de diversos jovens e crianças que viviam em meio ao tráfico de drogas, violência física e psicológica, e outras situações da realidade conturbada dos centros urbanos.

Atualmente continua com seus trabalhos na área de educação, através de suas telas mostra o verdadeiro Brasil, com contraste social, fazendo uma reflexão sobre violência e preconceito. A cada pincelada e ação mostra a face da mulher negra guerreira que une as dificuldades sofridas pela população da periferia com a garra e perseverança afro-brasileira. 

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 25/05/2016
  • Fonte: Sorria!,