Doadores de órgãos em SP crescem 33,2% em 2025
Com aumento no número de doadores de órgãos, São Paulo ampliou transplantes em 2025 e reforçou programas de captação e transporte
- Publicado: 13/05/2026 11:27
- Alterado: 13/05/2026 11:27
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: SES
O Estado de São Paulo registrou aumento de 33,2% no número de doadores de órgãos em 2025. O total passou de 1.023, em 2024, para 1.363 neste ano, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP). O avanço também refletiu diretamente na ampliação dos transplantes realizados em todo o território paulista.
No mesmo período, a recusa familiar caiu 1,3 ponto percentual, fator considerado essencial para o crescimento da captação e dos procedimentos. Em números absolutos, São Paulo contabilizou 8.875 transplantes em 2025, o que representa 564 procedimentos a mais em relação aos 8.311 registrados no ano anterior.
São Paulo lidera transplantes no Brasil

O estado concentra a maior rede transplantadora do país e mantém a liderança nacional na realização de transplantes. De acordo com a Central Estadual de Transplantes, foram realizados 5.886 transplantes de córnea, 2.031 de rim, 685 de fígado, 148 de coração, 68 de rim e pâncreas, 48 de pulmão e 15 de pâncreas.
Segundo o coordenador da Central de Transplantes, Francisco de Assis Monteiro, o aumento de doadores de órgãos está ligado à combinação entre capacitação profissional e maior conscientização da população.
“O aumento no número de doadores é resultado de um trabalho contínuo de capacitação e sensibilização dos profissionais de saúde em todo o estado, aliado à maior conscientização da população sobre a importância da doação de órgãos, contribuindo para que mais vidas sejam salvas”, afirmou.
Atualmente, 28.852 pacientes aguardam por um transplante em São Paulo. Para facilitar o acesso às informações, a SES-SP disponibiliza no aplicativo Poupatempo, por meio do programa Saúde Digital Paulista, uma ferramenta que permite ao paciente acompanhar o andamento do cadastro e sua posição na fila de transplantes.
Governo amplia investimentos e fortalece captação

A Secretaria da Saúde também ampliou em 80% os valores pagos pela Tabela SUS Paulista para sete procedimentos relacionados à captação de órgãos para transplantes. O modelo prevê repasses maiores para hospitais e instituições filantrópicas, que podem receber até cinco vezes o valor estipulado pela tabela federal por procedimento.
O Governo de São Paulo mantém campanhas permanentes de conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. A autorização familiar segue sendo indispensável para efetivar o processo.
Entre as principais iniciativas está o programa TransplantAR Aviação Solidária, lançado em setembro de 2024 para acelerar o transporte de equipes médicas e órgãos destinados aos transplantes.
Programa TransplantAR já realizou mais de 100 voos

O projeto permite que proprietários de aeronaves privadas doem horas de voo para apoiar a logística de captação e transporte de órgãos em todo o país. Desde sua criação, o programa realizou 106 voos e colaborou para a captação de 99 órgãos.
O TransplantAR não gera custos aos cofres públicos. A seleção das aeronaves participantes é feita pelo Instituto Brasileiro de Aviação (IBA), enquanto helicópteros, turboélices e jatos particulares autorizados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) podem atuar de forma voluntária.
A rapidez no transporte é considerada decisiva para o sucesso dos transplantes, principalmente em órgãos como coração e pulmão, que precisam ser transplantados em até quatro horas após a captação. No caso do fígado, o prazo chega a 12 horas.
Em 2025, o programa venceu a categoria Justiça e Cidadania da 22ª edição do Prêmio Innovare, reconhecimento voltado a iniciativas de fortalecimento da cidadania e inovação em políticas públicas.
Como funciona a fila de transplantes

A Central de Transplantes segue critérios definidos em lei para selecionar os receptores de cada órgão doado. O processo considera tipagem sanguínea, dados antropométricos entre doador e receptor, compatibilidade genética e priorização de pacientes em estado grave.
A inscrição dos pacientes que necessitam de transplante é realizada pela equipe médica responsável junto ao Sistema Estadual de Transplantes de São Paulo, que atua de forma integrada ao Sistema Nacional de Transplantes.
O crescimento no número de doadores de órgãos reforça o papel de São Paulo como referência nacional em transplantes e evidencia a importância das campanhas de conscientização para salvar vidas.