Do campo à cidade em cem anos: a transformação demográfica em São Paulo
Como o Estado de São Paulo passou de um polo de atração internacional para uma região em transição demográfica, com interiorização do crescimento e envelhecimento populacional acelerado
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 22/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
Estudo da Fundação Seade traça um panorama da dinâmica populacional do Estado de São Paulo ao longo de cem anos (1920-2022), evidenciando profundas mudanças impulsionadas pela urbanização, industrialização e desenvolvimento regional.
A análise da evolução dos componentes vegetativo (nascimentos e óbitos) e migratório (entradas e saídas de pessoas) revela importante reorganização espacial e alterações na estrutura etária da população.
Interior ganha protagonismo após décadas de migração rumo à Capital
Até a década de 1970, a Capital paulista era um grande polo de atração populacional, com crescimento acelerado devido à intensa migração. Enquanto isso, o Interior crescia mais moderadamente e muitas vezes deslocava população em direção à Capital. Uma inversão marcante ocorre entre 1980 e 2010, quando a Capital reduziu sua capacidade de atração, registrando saldos migratórios negativos, enquanto o Interior se desenvolveu e se tornou um destino para migrantes, inclusive vindos da própria Capital.
Polos regionais no Interior emergiram com forte dinamismo econômico e demográfico, impulsionados por tecnologia, indústria, agronegócio e serviços qualificados.
Entre 2010 e 2022, pela primeira vez nos cem anos analisados, o Estado de São Paulo registrou saldo migratório negativo, determinado principalmente pelo saldo negativo da Capital que não foi totalmente compensado pelo saldo positivo do Interior.
A Capital apresentou crescimento populacional reduzido e o Interior, embora crescendo menos que no passado, garantiu o pequeno incremento populacional no Estado.
Envelhecimento e queda da fecundidade transformam perfil populacional
Paralelamente à reconfiguração espacial, o Estado vivenciou acentuada transição demográfica. A queda contínua da fecundidade, que atingiu níveis abaixo da taxa de reposição no início dos anos 2000, combinada com o aumento da longevidade, resultou em duas tendências dominantes: a redução do saldo vegetativo e a aceleração do envelhecimento populacional.
Em 2022, os idosos (60 anos ou mais) representavam 17,2% da população estadual, um aumento significativo em relação aos 7,7% registrados em 1991. O envelhecimento tornou-se a característica demográfica mais marcante do período recente.
Para mais informações, consulte a publicação completa SP Demográfico n.1 de 2025, no link:
https://spdemografico.seade.gov.br/integra/?analise=um-seculo-de-dinamica-populacional-no-estado-de-sao-paulo-1920-2022-a-transformacao-dos-papeis-da-capital-e-do-interior-paulista