Dívidas com Corinthians somam R$ 164 milhões em meio a crise no clube
Valores a receber não aliviam pressão sobre a gestão de Augusto Melo, que enfrenta reprovação e risco de impeachment
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 02/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
No contexto de uma severa crise financeira, o Corinthians apresenta um montante de R$ 164,3 milhões a receber de clubes tanto nacionais quanto internacionais, decorrente da venda de jogadores e valores relacionados ao mecanismo de solidariedade da FIFA. Essa informação foi revelada no balanço financeiro referente ao ano de 2024, que foi publicado pelo clube na última quarta-feira (30). Entretanto, esses valores não são suficientes para mitigar as crescentes pressões sobre a administração do presidente Augusto Melo.
Negociações internacionais lideram a lista de inadimplências
O destaque entre as quantias a receber refere-se à transação do atacante Wesley para o Al-Nassr, da Arábia Saudita. A negociação foi realizada por 20 milhões de euros (aproximadamente R$ 110 milhões na cotação vigente), mas ainda há pendências a serem saldadas, totalizando R$ 74,3 milhões em aberto. Além disso, o Al-Rayyan, do Catar, permanece devendo R$ 25,7 milhões pela aquisição do jogador Róger Guedes.
No cenário nacional, clubes como Atlético-MG e Vasco também figuram entre os devedores. O Atlético não cumpriu com o pagamento de R$ 17,5 milhões referentes à contratação do volante Fausto Vera até o encerramento do ano anterior, conforme apontado no relatório financeiro. O Vasco, por sua vez, tem uma dívida um pouco superior a R$ 5 milhões com o Corinthians em relação às contratações de Lucas Piton, Felipe Bastos e Giovanni Augusto.
Crise política se agrava após rejeição das contas
Embora algumas das negociações contemplem cláusulas que permitem pagamentos parcelados ao longo do tempo — o que implica que nem todos os valores estão em atraso — a soma total dos créditos é alarmante em um ambiente marcado pela instabilidade administrativa.
As contas do Corinthians para o ano de 2024 foram rejeitadas pelo Conselho Deliberativo do clube. O resultado foi composto por 130 votos contrários, 73 favoráveis e seis abstenções. A reprovação se baseou em denúncias relacionadas à falta de transparência, crescimento do passivo e inconsistências nas prestações de contas apresentadas. O Conselho de Orientação (CORI) acredita haver fundamentos suficientes para iniciar um novo processo de impeachment contra Augusto Melo, cuja gestão já enfrenta desafios internos significativos.
Com um cenário repleto de dívidas bilionárias e uma desconfiança generalizada, o momento atual do clube é crítico tanto em termos administrativos quanto esportivos. A diretoria nutre a expectativa de que uma parte dos valores a receber seja incorporada aos cofres nos próximos meses; no entanto, a instabilidade financeira e política continua sendo um entrave para o planejamento futuro do Corinthians.