49% dos endividados têm múltiplas dívidas no mesmo banco
Estudo inédito revela que quase metade dos inadimplentes concentra débitos em uma única instituição financeira para tentar pagar contas básicas.
- Publicado: 05/05/2026 12:56
- Alterado: 05/05/2026 12:56
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Serasa
Estudo recente da Serasa joga luz sobre o peso do setor financeiro no bolso do consumidor. As dívidas bancárias lideram o ranking da inadimplência no país e refletem um cenário de estrangulamento econômico. O Brasil soma hoje 82,8 milhões de negativados, englobando pouco mais da metade de toda a população adulta.
Essas dívidas bancárias revela uma dinâmica estrutural na relação dos clientes com os bancos. A pesquisa, realizada em parceria com o Opinion Box, aponta que 49% dos devedores acumulam múltiplas cobranças pendentes dentro de uma mesma instituição financeira. O consumidor médio carrega mais de três débitos ativos, dificultando a recuperação do próprio crédito.
O peso do cartão nas dívidas bancárias
O cartão de crédito domina absoluto como a principal fonte das pendências. Ele representa 73% das negativações, superando os empréstimos pessoais (56%) e a utilização emergencial do cheque especial (33%). O uso recorrente do limite rotativo transforma faturas comuns em obstáculos financeiros crônicos.
A gravidade da situação fica evidente no tempo e no volume do endividamento. Entre os usuários de cartão, 37% devem mais de R$ 10 mil e convivem com essas restrições em seus CPFs há mais de dois anos.
“Quando o crédito rotativo passa a ser utilizado de forma recorrente, o risco de endividamento prolongado aumenta significativamente. Isso ajuda a explicar a permanência dessas pendências por tanto tempo.” afirma Aline, diretora da Serasa.
Sobrevivência e desemprego guiam a inadimplência
O descontrole impulsivo passa longe de ser a raiz do problema. A perda de emprego ou a queda abrupta de renda respondem por 38% dos casos. As famílias recorrem ao crédito não para o consumo de luxo, mas para garantir o pagamento de boletos atrasados e tentar liquidar passivos antigos.
A pesquisa reforça que o endividamento no Brasil é uma tentativa de manter o básico em dia. Quando despesas como alimentação e saúde são financiadas, o risco de bola de neve aumenta significativamente.
A maioria dos brasileiros tenta ativamente limpar o nome e solucionar suas dívidas bancárias ativas. Os dados mostram que 71% dos devedores já buscaram propostas de negociação com os credores. A confiança em honrar os acordos atinge 54,9% dos entrevistados, desde que as condições caibam no orçamento real das famílias. Descontos no valor principal e corte de juros viabilizam a quitação.
Como renegociar via Desenrola Brasil
A plataforma oficial de renegociação integrou as ofertas do programa Desenrola Brasil 2.0. A parceria permite abater até 90% do valor de pendências com instituições de peso, incluindo Itaú, Santander, Bradesco, Nubank e Banco Pan. Empresas de telecomunicações e concessionárias de serviços básicos também participam do mutirão de descontos.
O processo de regularização exige poucos minutos e ocorre no ambiente digital:
- Acesse o site oficial do Serasa Limpa Nome ou o aplicativo móvel.
- Faça o login utilizando seu CPF e senha cadastrada.
- Verifique as ofertas de renegociação disponíveis logo na tela inicial do sistema.
- Selecione a melhor condição e a forma de pagamento desejada.
- Pague o acordo e guarde o comprovante.
As empresas possuem um prazo legal de até cinco dias úteis após o pagamento para solicitar a exclusão do registro negativo. Aproveitar essas janelas de mutirões de crédito é a estratégia mais inteligente para estancar a sangria do orçamento. Enfrentar as dívidas bancárias com planejamento e descontos reais devolve o poder de compra e a tranquilidade às famílias brasileiras.