‘Ditadura militar foi um grande erro’, afirma Moro durante homenagem

Juiz iniciou o discurso prestando condolências às vítimas do atentado que deixou mais de 58 mortos em Las Vegas, nos EUA. "É algo que nos choca, que afeta a todos", disse

Crédito:

Agraciado nesta segunda-feira, 2, com um prêmio concedido pela Universidade de Notre Dame (EUA), o juiz federal Sérgio Moro disse que a ditadura militar no Brasil foi “um grande erro” e a “resposta aos males democráticos, como a corrupção, é o aprofundamento da democracia”.

“Os cidadãos brasileiros recuperaram em 1985 todos os seus direitos e liberdades democráticas, depois de 20 anos de ditadura militar. As Forças Armadas tiveram um importante papel na história do Brasil”, discursou Moro durante almoço no Hotel Fasano, em São Paulo. “Mas este período da ditadura militar foi, e não há dúvida disso, um grande erro.”

Após o evento, questionado sobre as declarações recentes do general do Exército da ativa Antonio Hamilton Martins Mourão, que falou em possibilidade de intervenção diante da crise enfrentada pelo País, o juiz disse que o “aprofundamento da democracia” é “o caminho a ser perseguido”. “Não creio que aquele comentário tinha esse propósito de anunciar uma coisa fora de uma preocupação com esses casos graves de corrupção”, afirmou o magistrado.

No evento, Moro admitiu estar “cansado” e disse que em Curitiba a Lava Jato “está indo para o final”. “É impossível dar uma previsão, apenas a única reflexão é assim que boa parte do trabalho tinha que ser feita foi feita”, afirmou. “Até falei brincando outro dia que a gente estava ‘doido’ para voltar a julgar grandes traficantes de drogas. Dá menos trabalho.” Ele, contudo, disse que “é impossível dar uma previsão” sobre o encerramento da operação na primeira instância.

PRÊMIO NOTRE DAME
O prêmio concedido pela Universidade de Notre Dame (EUA) já homenageou o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, o vencedor do Prêmio Nobel da Paz, John Hume, o líder dos direitos civis norte-americano Leon Sullivan e Madre Teresa de Calcutá. A Universidade reconhece “homens e mulheres cuja vida demonstram dedicação exemplar aos ideais pelos quais a universidade preza”, como a “fé, investigação, educação, justiça, serviço público, paz e atenção com os mais vulneráveis.”

O reitor da Universidade, reverendo John I. Jenkins, informou que o Juiz Federal Sérgio Moro é homenageado “por seus valentes esforços” para preservar a “integridade do país através de sua aplicação firme e imparcial da lei”. Durante seu discurso, o reverendo Jenkins afirmou que, graças a Moro,

“Sérgio Fernando Moro e sua equipe deram nova esperança aos brasileiros e a milhões de pessoas em todo o mundo que desejam honestidade no governo. Como resultado do bom trabalho do Dr. Moro, o Brasil, em vez de ser infame pela corrupção, tornou-se um farol para o resto do hemisfério sobre como lutar contra isso”.

Texto divulgado pela universidade informa que o juiz foi incluído na lista de 100 pessoas mais influentes do mundo na revista “Time” e classificado como 13º líder mais influente do mundo pela revista “Fortune”. Informa também que Moro participou em 2007 do Programa de Liderança para Visitantes Internacionais do Departamento de Estado dos EUA, visitando agências e instituições americanas responsáveis pela prevenção e combate à lavagem de dinheiro.

  • Publicado: 03/10/2017 10:11
  • Alterado: 03/10/2017 10:11
  • Autor: Redação ABCdoABC
  • Fonte: Estadão Conteúdo