Disputa por prisões com câmeras intensifica embate político em São Paulo

Segurança pública vira vitrine para políticos de olho em 2026

Disputa por prisões com câmeras intensifica embate político em São Paulo

Crédito: Eric Romero

O uso de câmeras de segurança com reconhecimento facial para divulgar prisões tem se tornado uma estratégia política em São Paulo. O secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite, e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), têm compartilhado nas redes sociais diversas prisões realizadas a partir de sistemas de monitoramento.

Ambos, alinhados à direita, têm a segurança como uma de suas principais bandeiras e negam qualquer motivação eleitoral, embora planejem voos políticos maiores: Nunes como possível candidato ao governo estadual em 2026 e Derrite visando uma vaga no Senado.

Enquanto Derrite promove o programa estadual Muralha Paulista, Nunes reforça o Smart Sampa, sistema municipal que se destaca pela quantidade de câmeras com tecnologia de biometria facial.

Diferenças e expansão dos programas de monitoramento

O Muralha Paulista, implantado em setembro de 2024 pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), utiliza majoritariamente câmeras privadas e municipais conectadas ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da Polícia Militar.

Atualmente, o programa conta com cerca de 300 câmeras próprias em operação, sem reconhecimento facial, e prevê a aquisição de mais 1.200 unidades com essa tecnologia a partir de setembro.

Já o Smart Sampa, criado em julho de 2024, possui cerca de 20 mil câmeras próprias, todas equipadas com biometria facial. O projeto municipal também integra câmeras privadas e prevê a expansão desse número através de convênios.

Apesar de atuarem separadamente, há planos para integrar os dois sistemas, permitindo o compartilhamento de imagens e emissão de alertas em tempo real sobre veículos e pessoas procuradas.

Especialistas alertam para riscos de privacidade

O uso intensivo de imagens de câmeras privadas por órgãos públicos desperta preocupações entre especialistas em segurança da informação. Andre Ramiro, pesquisador da Universidade Stanford, destaca o risco de privatização da segurança pública sem a devida transparência, além da fragilidade jurídica causada pela exclusão da área de segurança pública da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Além disso, tanto o Muralha Paulista quanto o Smart Sampa permitem o acesso às imagens sem a necessidade de ordem judicial, aumentando a possibilidade de violações de privacidade. Embora o programa municipal preveja uma ouvidoria para denúncias e descarte de imagens não relacionadas a investigações, o modelo estadual não estabelece protocolos claros para a fiscalização externa.

  • Publicado: 27/04/2025 12:59
  • Alterado: 27/04/2025 12:59
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress