Disputa por prisões com câmeras intensifica embate político em São Paulo
Segurança pública vira vitrine para políticos de olho em 2026
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 27/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O uso de câmeras de segurança com reconhecimento facial para divulgar prisões tem se tornado uma estratégia política em São Paulo. O secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite, e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), têm compartilhado nas redes sociais diversas prisões realizadas a partir de sistemas de monitoramento.
Ambos, alinhados à direita, têm a segurança como uma de suas principais bandeiras e negam qualquer motivação eleitoral, embora planejem voos políticos maiores: Nunes como possível candidato ao governo estadual em 2026 e Derrite visando uma vaga no Senado.
Enquanto Derrite promove o programa estadual Muralha Paulista, Nunes reforça o Smart Sampa, sistema municipal que se destaca pela quantidade de câmeras com tecnologia de biometria facial.
Diferenças e expansão dos programas de monitoramento
O Muralha Paulista, implantado em setembro de 2024 pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), utiliza majoritariamente câmeras privadas e municipais conectadas ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da Polícia Militar.
Atualmente, o programa conta com cerca de 300 câmeras próprias em operação, sem reconhecimento facial, e prevê a aquisição de mais 1.200 unidades com essa tecnologia a partir de setembro.
Já o Smart Sampa, criado em julho de 2024, possui cerca de 20 mil câmeras próprias, todas equipadas com biometria facial. O projeto municipal também integra câmeras privadas e prevê a expansão desse número através de convênios.
Apesar de atuarem separadamente, há planos para integrar os dois sistemas, permitindo o compartilhamento de imagens e emissão de alertas em tempo real sobre veículos e pessoas procuradas.
Especialistas alertam para riscos de privacidade
O uso intensivo de imagens de câmeras privadas por órgãos públicos desperta preocupações entre especialistas em segurança da informação. Andre Ramiro, pesquisador da Universidade Stanford, destaca o risco de privatização da segurança pública sem a devida transparência, além da fragilidade jurídica causada pela exclusão da área de segurança pública da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Além disso, tanto o Muralha Paulista quanto o Smart Sampa permitem o acesso às imagens sem a necessidade de ordem judicial, aumentando a possibilidade de violações de privacidade. Embora o programa municipal preveja uma ouvidoria para denúncias e descarte de imagens não relacionadas a investigações, o modelo estadual não estabelece protocolos claros para a fiscalização externa.