Diretoria da Rosas de Ouro assume erro após rebaixamento
A Rosas de Ouro caiu devido ao atraso na entrega de documentos e sua diretoria assume agora a culpa por esse erro administrativo
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 18/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Rosas de Ouro enfrenta um dos momentos mais delicados de sua trajetória no Carnaval de São Paulo. A tradicional escola da Freguesia do Ó confirmou nesta quarta-feira (18) que o clima interno é de “dor coletiva” após a apuração que culminou no rebaixamento para o Grupo de Acesso 1. A penalidade administrativa de 0,5 ponto, aplicada antes mesmo do primeiro surdo ecoar no Sambódromo, selou o destino da agremiação.
O revés é ainda mais simbólico porque, considerando apenas as notas obtidas na avenida, a Rosas de Ouro teria desempenho suficiente para figurar entre as primeiras colocadas do Carnaval 2025. No entanto, o descumprimento de prazo na entrega de documentação obrigatória à Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo alterou o cenário e transformou um potencial título em um descenso histórico.
O erro administrativo que mudou o destino da Rosas de Ouro
A penalidade de 0,5 ponto foi aplicada em razão do atraso na entrega de documentos exigidos pela Liga. Com a pontuação final de 268,4 pontos, a Rosas de Ouro terminou na penúltima colocação. Sem o desconto, a escola não apenas escaparia do rebaixamento como superaria a Estrela do Terceiro Milênio na somatória geral, mantendo-se no topo da tabela.
O impacto foi imediato na classificação. Com a punição da Rosas de Ouro, a Vai-Vai — que também esteve ameaçada — assegurou permanência no Grupo Especial. Ao lado da Águia de Ouro, última colocada, a Rosas de Ouro acabou rebaixada da elite do samba paulistano.
“Assumimos a responsabilidade”, afirma diretoria da Rosas de Ouro
Em nota oficial direcionada à comunidade, a diretoria da Rosas de Ouro não buscou justificativas externas. “Nossa Diretoria assume integralmente a responsabilidade pelos acontecimentos e pede as mais sinceras desculpas a toda nação azul e rosa”, declarou o comunicado.
A cúpula reconheceu que falhas burocráticas não podem comprometer o trabalho artístico desenvolvido ao longo de um ano inteiro. Segundo o texto, o momento exige “reflexão, união e reconstrução”. A Rosas de Ouro também destacou que já iniciou o planejamento para 2026, agora no Grupo de Acesso, com foco em reorganização administrativa e fortalecimento interno.
O brilho de “Escrito nas Estrelas” ofuscado pelo resultado

Na avenida, a Rosas de Ouro apresentou o enredo “Escrito nas Estrelas”, apostando em uma estética futurista e tecnológica no Sambódromo do Anhembi. Alegorias iluminadas e referências ao cosmos marcaram o desfile, considerado por parte da crítica especializada um dos mais impactantes visualmente do ano.
Apesar da força plástica, a Rosas de Ouro enfrentou obstáculos na pista. Um vazamento de óleo provocado por um carro alegórico da Acadêmicos do Tatuapé, que desfilou antes, causou atraso superior a uma hora. Além disso, a escola perdeu décimos em quesitos estratégicos como samba-enredo, bateria e comissão de frente. A soma desses fatores, aliada à punição administrativa, tornou matematicamente inviável a permanência no Grupo Especial.
Repercussão nas redes e mobilização da comunidade
O rebaixamento da Rosas de Ouro rapidamente dominou as redes sociais. Parte dos torcedores classificou a falha administrativa como “inadmissível” para uma agremiação com décadas de tradição. Críticas foram direcionadas aos setores de logística e secretaria, com pedidos por mudanças estruturais na gestão.
Em contrapartida, a mobilização da chamada “Nação Azul e Rosa” ganhou força. Componentes e simpatizantes reafirmaram apoio irrestrito à Rosas de Ouro, destacando que a história da escola é marcada por superações. A promessa que ecoa entre os integrantes é clara: a Rosas de Ouro pretende retornar ao Grupo Especial em 2027 e recuperar o protagonismo no Carnaval de São Paulo.
Entre a frustração pelo desfecho e a confiança na reconstrução, a Rosas de Ouro inicia um novo ciclo. O desafio agora é transformar a dor coletiva em combustível para um retorno à altura de sua tradição no samba paulistano.