Dino acelera julgamento sobre emendas após avanço da PEC da Blindagem

Atualmente, cerca de 80 inquéritos estão em andamento no tribunal, todos sob sigilo

Dino acelera julgamento sobre emendas após avanço da PEC da Blindagem

Crédito: Gustavo Moreno/STF

Nesta quarta-feira, 17, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, anunciou a conclusão da instrução dos processos relacionados às emendas parlamentares no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão de Dino ocorre em um momento crítico, logo após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem na Câmara dos Deputados, e visa acelerar o julgamento que poderá restringir a influência dos congressistas sobre o Orçamento federal.

Essa ação do ministro destaca as preocupações levantadas por integrantes do centrão, que têm manifestado descontentamento com o STF. As apreensões estão ligadas ao avanço de investigações que visam apurar possíveis desvios relacionados às emendas. Atualmente, cerca de 80 inquéritos estão em andamento no tribunal, todos sob sigilo, envolvendo parlamentares e ex-parlamentares suspeitos de crimes associados à destinação de recursos públicos.

Os políticos do centrão temem que essas investigações impactem suas atuações e foram motivados a apoiar a PEC da Blindagem como uma medida de proteção. A proposta estabelece que qualquer investigação contra membros do Congresso deve ser aprovada pelo STF com a anuência prévia de deputados e senadores, em votação secreta.

Diante desse cenário, Flávio Dino determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentem suas opiniões sobre as ações que contestam as emendas parlamentares. Com essas contribuições, o ministro poderá preparar os processos para serem discutidos pelo plenário do STF na segunda quinzena de outubro. A inclusão na pauta de julgamentos depende, contudo, da autorização do presidente do tribunal. Luís Roberto Barroso deixará seu cargo em 29 de setembro e será sucedido por Edson Fachin.

O julgamento não se limitará a questões procedimentais; ele poderá resolver uma série de impasses associados às emendas parlamentares e à distribuição orçamentária atribuída aos parlamentares. Entre os pedidos nas ações está a revogação das emendas impositivas. Caso essa proposta seja acolhida pelo STF, o governo não será mais obrigado a honrar os pagamentos das emendas indicadas pelos congressistas.

O conteúdo da PEC da Blindagem foi discutido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), com ministros do STF, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Durante encontros realizados no último sábado (13), Motta argumentou que a aprovação da proposta facilitaria um clima propício para barrar uma anistia ampla ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros envolvidos em crimes relacionados aos eventos de 8 de janeiro.

A vitória legislativa representaria um fortalecimento para Motta, especialmente após sua autoridade ter sido questionada durante episódios recentes de instabilidade política. Ele também mencionou as decisões recentes de Dino sobre a suspensão dos pagamentos das emendas parlamentares como fatores que intensificaram as tensões entre o Congresso e o STF.

No tribunal, as reações foram variadas. Um ministro informou que não se oporia à aprovação da PEC da Blindagem, mas sugeriu que fosse incluído um prazo para a Câmara se manifestar sobre investigações contra parlamentares suspeitos. Esse trecho foi adicionado ao texto final, prevendo uma autorização tácita caso o Congresso não se pronuncie dentro de 90 dias.

Entretanto, três ministros expressaram preocupações sobre os efeitos da proposta. Um deles chegou a afirmar que tal medida poderia encorajar membros de organizações criminosas a se candidatar nas próximas eleições de 2026.

O acordo proposto por Motta também estipula que a Câmara rejeite qualquer projeto que vise conceder anistia irrestrita ao ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos na tentativa golpista. Além disso, uma alternativa está sendo discutida para suavizar as penas aplicadas aos condenados pela tentativa frustrada de golpe de Estado. Esta iniciativa é fruto das articulações entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e os senadores Rodrigo Pacheco (PSD-MG), juntamente com os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes desde abril deste ano.

Embora os detalhes finais dessa proposta ainda estejam sendo elaborados, uma das sugestões é alterar a Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito para incluir disposições que permitam a absorção do crime de abolição do Estado de Direito pelo crime de golpe de Estado. Se essa alteração for aprovada, ela poderá reduzir significativamente as penas impostas ao ex-presidente Bolsonaro, atualmente condenado a 27 anos e três meses por sua participação nos eventos golpistas.

  • Publicado: 17/09/2025 17:44
  • Alterado: 17/09/2025 17:52
  • Autor: Redação
  • Fonte: FOLHAPRESS