Dinheiro parado pode fazer perder até 20% do poder de compra

Inflação corrói valor do dinheiro guardado sem rendimento. Estudo aponta redução do valor de compra em 5 anos

Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Manter grandes quantias de dinheiro na conta-corrente por longos períodos pode gerar perdas significativas no poder de compra. De acordo com a Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), a desvalorização pode chegar a 20% em cinco anos, considerando uma inflação média de 4% ao ano.

O planejador financeiro Diego Endrigo, certificado CFP pela entidade, explica que quem deixa R$ 10 mil parados na conta vê esse valor se transformar em cerca de R$ 8 mil em termos reais ao fim do período. “O investidor imagina estar preservando o patrimônio, mas, na prática, está perdendo poder de compra todos os dias”, afirma.

Alternativas seguras rendem mais que a conta-corrente

Endrigo ressalta que aplicações conservadoras, como Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária, garantem ganhos reais mesmo após o desconto do Imposto de Renda. Em cinco anos, o mesmo valor de R$ 10 mil poderia ultrapassar R$ 15 mil brutos.

Apesar disso, ele alerta que a comparação serve apenas para demonstrar o custo de oportunidade de deixar o dinheiro parado. “Mesmo recursos de curto prazo podem ser protegidos da inflação sem abrir mão da liquidez”, completa.

A professora da FGV e especialista em finanças Myrian Lund reforça a importância de buscar aplicações para o dinheiro parado que, no mínimo, acompanhem a inflação. Para ela, os CDBs com liquidez diária são hoje uma das melhores opções. “Com os juros em 15%, o conservador é quem está ganhando mais”, afirma.

Educação financeira e planejamento são essenciais

A resistência em investir o dinheiro parado ainda é comum entre brasileiros. Segundo Endrigo, o medo, a falta de informação e a busca por comodidade explicam por que muitas pessoas mantêm valores elevados em conta-corrente. “Deixar o dinheiro parado não significa estabilidade, mas sim perdas acumuladas”, diz.

Myrian Lund recomenda que o consumidor mantenha na conta apenas o necessário para despesas do mês. O excedente deve ser aplicado, e o valor destinado às contas pode ser ajustado mensalmente conforme a sobra.

Para quem quer começar a investir, a especialista indica dividir os recursos em três grupos: reserva de emergência, com liquidez diária; reserva para aposentadoria, voltada ao longo prazo; e reserva para sonhos, destinada a objetivos específicos como viagens ou compra de imóvel.

Cofrinhos digitais e renda variável: quando usar

Os chamados “cofrinhos digitais” também podem ser uma opção para investidores iniciantes. Eles permitem separar recursos para diferentes metas e costumam render próximo ao CDI. No entanto, Endrigo alerta que esses produtos nem sempre oferecem total transparência sobre os ativos e emissores.

Já a Bolsa de Valores, segundo Lund, exige mais preparo e tolerância a riscos. “Na renda variável, o retorno depende da valorização dos papéis. Hoje, com juros altos, a renda fixa oferece ganhos equivalentes ou superiores, o que torna a opção mais vantajosa para quem busca segurança”, explica.

  • Publicado: 19/01/2026
  • Alterado: 19/01/2026
  • Autor: 19/10/2025
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping