Dinheiro no Esporte: de onde vem e para onde vai?
Que todo o setor de negócios esportivos é abastecido por dinheiro, isso é um fato inegável. O dinheiro controla todas as pessoas e, no geral, tudo o que acontece no mundo esportivo. É a moeda comum e um dos principais contribuintes para quase todos os acordos que são feitos. Embora saibamos que o poder de […]
- Publicado: 26/01/2026
- Alterado: 09/01/2020
- Autor: Redação
- Fonte: Maria Clara e JP
Crédito:
Que todo o setor de negócios esportivos é abastecido por dinheiro, isso é um fato inegável. O dinheiro controla todas as pessoas e, no geral, tudo o que acontece no mundo esportivo. É a moeda comum e um dos principais contribuintes para quase todos os acordos que são feitos. Embora saibamos que o poder de compra é um fator preponderante no esporte, para a maioria das pessoas não fica claro de onde vem tanto dinheiro envolvido, e para onde ele vai.
Uma das maiores razões pelas quais o dinheiro desempenha um papel importante no esporte é porque as pessoas podem se unir ao esporte através da conexão emocional e realmente se envolver. Imagine que um jogo no Mineirão é capaz de lotar todos os seus 62 mil assentos a cada partida que acontece no estádio. A receita proveniente do torcedor é provavelmente a maior fonte de renda em todos os esportes e continuará a impulsionar o setor enquanto o mundo esportivo existir.
Um outro ponto importante na geração de renda é, sem dúvida, as propagandas (merchandising) e publicidade, que ficam em segundo e terceiro lugar na captação de dinheiro relacionado ao esporte. O merchandising é uma estratégia inteligente para ganhar dinheiro, visto que, novamente, atrai os torcedores e dão a eles a capacidade de comprar equipamentos e roupas que determinado time esportivo ou jogador usaria, fazendo com que se sintam mais conectados a quem quer que esteja sendo anunciado.
Muito mais do que apenas ingressos
Não há como falar de esporte e deixar de lado a competitividade que impele os fãs a realizarem as mais variadas apostas possíveis de se imaginar. Nos Estados Unidos, a prática é conhecida como “sporting bets”, e movimenta valores inimagináveis de dinheiro enquanto os torcedores dão tudo o que tem para conseguir aliar suas emoções e confiança em uma equipe à possibilidade de ganhar grandes montantes.
Aliado à prática de apostas, quem sempre procura se envolver no esporte de uma forma ou de outra são as grandes empresas, como a Nike. Isso porque elas estão cientes e entendem que o esporte é uma das indústrias mais lucrativas do planeta. Os anunciantes normalmente gastam bilhões de dólares em publicidade em esportes todos os anos. Seja sendo um parceiro oficial, ou simplesmente tendo um atleta famoso liderando sua marca, as empresas estão sempre procurando colocar a mão na mina do esporte e sair ganhando com isso.
Para onde vai tanto dinheiro?
Sabendo que quantias colossais de dinheiro circulam no mundo esportivo, a questão é como ele é dividido entre todos. Para cada esporte, a maneira como o dinheiro é distribuído, é diferente. De uma forma geral, há uma divisão de ganhos entre a equipe, havendo particularidades intrínsecas a cada uma delas.
Em clubes superavitários, algo bem difícil no esporte nacional atualmente, parte do lucro é devolvido à própria organização, através de investimento em publicidade e outros empreendimentos comerciais, além da contratação de novos jogadores, é claro. Mas isso é algo bem difícil hoje no país. Apenas Flamengo e Palmeiras podem ser considerados clubes com faturamento superior às despesas. O time paulista, graças à patrocinadora que vem investindo grandes quantias na contratação de talentos nos últimos anos.
Já o Flamengo é uma história a parte no futebol brasileiro. Na última década, o time carioca protagonizou uma transformação profunda que começou com uma gestão profissional do futebol comandada pelo ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello. Dessa forma, o clube de maior torcida do Brasil, viu seu potencial econômico aflorar através de um plano de sócio torcedor bem administrado, patrocínios, vendas de jogadores e receitas generosas vindas das cotas de TV que turbinaram as finanças e transformaram o clube da Gávea na maior potência em âmbito nacional.
Por outro lado, times menores ou mesmo clubes grandes mal administrados, ou seja, a maioria, continuam penando muitos para não fecharem as portas e outros para tentarem se manter na “elite”.
No futebol bahiano, por exemplo, mais da metade do dinheiro que os clubes arrecadam com a venda de ingressos é destinado ao pagamento de taxas e impostos. Um levantamento feito pelo CORREIO mostrou que, dos R$ 4,4 milhões gerados nas bilheterias após 132 jogos da primeira fase do campeonato bahiano, só R$ 1,7 milhão (38,64%) chegou ao caixa dos 12 clubes. As despesas com taxa de arbitragem e com a confecção de ingressos, entre outras despesas, foram maiores que as receitas líquidas de bilheteria de todos os clubes, exceto o Bahia.
Considerando que a bilheteria deveria ser uma das principais fontes de renda dos times, já que as cotas de TV são cada vez mais injustas e direcionam verbas maiores para os grandes e pouco dinheiro para os menores, o futuro do futebol brasileiro precisa passar por uma grande reformulação para não acarretar perdas que acabem por tornar a manutenção de times inviável, como é o caso do Cruzeiro, que enfrenta uma crise econômica que culminou com o rebaixamento para a série B do Brasileirão pela primeira vez na sua história.