Diferenças salariais chegam a 200% em cargos administrativos no serviço público
Cargos com o mesmo nome, mas salários distintos
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 11/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
No governo federal, a função de analista administrativo pode render salários iniciais que variam de R$ 5.213, no caso de servidores do Incra, a até R$ 15 mil para quem atua em agências reguladoras, como a Anac. Embora a nomenclatura seja igual, o Painel Estatístico de Pessoal do Ministério da Gestão e Inovação (MGI) aponta que existem sete cargos distintos com essa denominação.
Um levantamento do instituto República.org identificou outras 32 funções relacionadas a atividades administrativas, com nomes variados, mas atribuições semelhantes. Para a entidade, esses casos evidenciam a ausência de isonomia salarial entre carreiras equivalentes.
Falta de padronização e excesso de carreiras
Segundo a analista de projetos Ana Pessanha, a proliferação de cargos ocorre porque não há uma definição clara que diferencie funções semelhantes. Em alguns órgãos, existem carreiras com apenas um ou dois cargos, como “especialista 1” e “especialista 2”, e a mudança de posição só é possível por meio de novo concurso público, devido à proibição de provimento derivado.
O professor da USP Fernando Coelho estima que haja cerca de 300 carreiras na administração federal, sem incluir Legislativo e Judiciário. Ele aponta que a origem desse cenário está na ausência histórica de uma gestão centralizada de recursos humanos. Cada órgão criou sua própria política, resultando em discrepâncias salariais e fortalecimento de grupos corporativos.
Tentativas de integração e herança administrativa
Nos últimos anos, o MGI tem buscado integrar carreiras. Um exemplo foi a primeira edição do Concurso Nacional Unificado (CNU), que reuniu oito cargos e carreiras em macroáreas. Mesmo assim, especialistas afirmam que a unificação ainda é um desafio.
A professora da USP Cláudia Passador explica que a diversidade de cargos semelhantes também é consequência de diferentes visões de Estado adotadas por governos ao longo das décadas. Mudanças administrativas, períodos de contenção de gastos e fases voltadas ao atendimento de demandas sociais deixaram como herança um quadro funcional heterogêneo, no qual funções equivalentes recebem salários muito distintos.