Como funciona a dietoterapia chinesa e seus benefícios práticos
Técnica milenar da medicina chinesa usa os alimentos como ferramenta terapêutica para prevenir e tratar desequilíbrios de saúde
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 31/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A dietoterapia chinesa é considerada um dos pilares da medicina tradicional chinesa (MTC), como a acupuntura. Trata-se de uma prática que utiliza os alimentos como recurso terapêutico para prevenir doenças e recuperar a saúde. De acordo com a especialista Cláudia Siqueira, profissional de saúde com mais de 20 anos de experiência clínica, “a dietoterapia chinesa é a técnica de alimentação da medicina chinesa, onde a gente utiliza os alimentos para resgatar a saúde”.
Ela ressalta que não se trata apenas de “fazer dieta” no sentido ocidental de restrição alimentar, mas de compreender a energia presente nos alimentos e como eles interagem com o corpo humano.
Origem e fundamentos da prática
A tradição remonta a mais de 5 mil anos de história da medicina chinesa, que considera o ser humano em constante interação com a natureza. Nesse contexto, cada alimento possui uma natureza energética que pode ser fria, fresca, neutra, morna ou quente. A escolha correta de cada tipo está relacionada ao estado de saúde do indivíduo e às condições externas, como clima e estação do ano.
Segundo Cláudia, o princípio central é o equilíbrio entre o yin e o yang. “Existem alimentos que são mais frios, como a banana, o pepino e a melancia, que têm a propriedade de esfriar o organismo. Do lado contrário, a energia yang é quente, presente em alimentos como a canela, o gengibre e a cúrcuma. Ao entender esse jogo energético, conseguimos fazer melhores escolhas alimentares de acordo com o que acontece na natureza e dentro da gente”.
Alimentação e saúde mental
Além da prevenção de doenças físicas, a dietoterapia chinesa também é aplicada na saúde mental. A ansiedade, por exemplo, é entendida como uma manifestação de excesso de calor no corpo, enquanto a depressão é vista como uma disfunção de natureza fria. “Uma pessoa ansiosa precisa de alimentos refrescantes para equilibrar, enquanto alguém em depressão pode se beneficiar de alimentos que tragam mais calor e energia”, explica Cláudia.
Ela lembra ainda que cerca de 90% da serotonina é produzida no intestino, o que reforça a conexão entre dieta e saúde mental. “Se eu não cuido da alimentação que vai nutrir a microbiota intestinal, eu não trato a depressão”, completa.
Exemplos práticos de alimentos

A classificação energética dos alimentos é ampla, mas alguns exemplos ajudam a compreender a prática:
- Alimentos frios: banana, pepino, melancia, alface.
- Alimentos frescos: água de coco, abacate.
- Alimentos neutros: mandioca, batata-doce, cenoura, feijão.
- Alimentos mornos/quentes: gengibre, canela, noz-moscada, cúrcuma, café.
“Essas escolhas podem ser adaptadas conforme o estado emocional, a estação do ano e até o período do dia”, resume a especialista.
Relógio biológico e horários das refeições
Outro aspecto valorizado é o ritmo circadiano. A dietoterapia chinesa recomenda que as refeições estejam em sintonia com os momentos de maior energia do corpo. Para Cláudia:
“de manhã é quando o corpo está com a máxima potência para receber o alimento. Já à noite, a partir das 19h, o organismo se prepara para descansar, e comer muito nesse horário pode prejudicar o sono e o metabolismo”.
Acessibilidade e custo
Um dos diferenciais da prática é a acessibilidade. Ao contrário de dietas elitizadas ou suplementos caros, a base da dietoterapia chinesa está em alimentos simples, encontrados em feiras e mercados.
“O que a gente orienta a pessoa a comer, ela compra na feira. A maioria da população consegue se beneficiar desses recursos com baixo custo”, destaca Cláudia.
Relação com diferentes fases da vida e saúde da mulher
A dietoterapia também se adapta a diferentes fases da vida e condições específicas, como a saúde feminina. Para mulheres com sintomas de TPM ou ciclos menstruais irregulares, a especialista orienta cautela no consumo de alimentos ácidos, já que eles podem intensificar o funcionamento do fígado, órgão central no equilíbrio hormonal.
“Nesses casos, ajustar a alimentação pode ajudar a diminuir desconfortos”, afirma.
Dietoterapia e emagrecimento
Embora não seja o foco principal, a dietoterapia chinesa pode auxiliar no controle de peso. O ajuste de horários, a escolha correta dos alimentos e o equilíbrio energético favorecem a redução da inflamação e, consequentemente, a perda de peso quando necessário.
“Dietoterapia não tem a ver com cardápio ou restrição alimentar. É sobre utilizar a comida para manter a saúde. Quem precisa emagrecer, vai emagrecer. Quem precisa melhorar vitalidade, vai melhorar”, reforça Cláudia.
Caminho para profissionais de saúde
Outro ponto enfatizado pela especialista é que a dietoterapia chinesa não é exclusiva dos nutricionistas.
“Minha vida profissional foi transformada depois que comecei a estudar profundamente a dietoterapia chinesa. Hoje eu formo outros profissionais para que possam orientar pacientes em melhores escolhas alimentares”, afirma.
Um olhar para o futuro
Com a crescente busca por práticas integrativas e acessíveis, a dietoterapia chinesa ganha espaço como alternativa para quem procura equilíbrio físico, emocional e mental através da alimentação.
Para Cláudia, “o corpo fala, e os sintomas refletem desequilíbrios que podem ser corrigidos com escolhas simples, respeitando os ritmos biológicos e a natureza”.