Diálogo Sobre Educação reúne Mario Sergio Cortella e Cristovam Buarque
Segundo Diálogo Sobre Educação aconteceu na noite desta segunda-feira no Teatro Paulo Machado de Carvalho, em São Caetano
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 06/05/2014
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A cidade de São Caetano do Sul foi palco, na noite desta segunda-feira (5/5), de um debate em alto nível entre dois dos mais renomados pensadores do ensino brasileiro sobre os rumos da Educação no País: o filósofo Mario Sergio Cortella e o senador Cristovam Buarque. Cerca de mil pessoas acompanharam no Teatro Paulo Machado de Carvalho o Segundo Diálogo Sobre Educação, promovido pela Prefeitura sancaetanense e mediado pelo educador Daniel Belluci Contro.
“É um imenso prazer e uma honra receber o filósofo Mario Sergio Cortella e o senador Cristovam Buarque em São Caetano. Esse tipo de diálogo é fundamental para ampliar os horizontes de nossos educadores, que tanto se empenham para oferecer aos nossos estudantes o melhor ensino possível”, afirmou Ivone Braido Voltarelli, secretária de Educação de São Caetano, na abertura do evento.
Para o senador Cristovam Buarque, um dos desafios para uma maior valorização da Educação é a percepção que os brasileiros têm da área. “Nós somos um povo sem grande ambição intelectual. Aqui a Educação não é um valor fundamental, tanto que as famílias ficam tristes quando um filho decide ir para o magistério. No Brasil ninguém é considerado rico por ser um grande intelectual, a riqueza é enxergada apenas do ponto de vista material, de um carro novo, uma casa bonita.”
Cristovam Buarque, que já foi ministro da Educação, afirmou que os professores devem ser a categoria profissional mais prestigiada do Brasil, mas têm de oferecer a contrapartida. “Para ter um salário alto, o professor precisa merecer. Na Coreia do Sul, para se tornar um professor o aluno tem de ser um dos melhores na faculdade. Temos de exigir dos professores desempenho, avaliar seu trabalho. E se o professor não atender as expectativas, tem de ceder o seu lugar.”
O filósofo Mario Sergio Cortella lembrou que, quando foi secretário de Educação na cidade de São Paulo, um de seus desafios era convencer a população da importância da área. “A Educação não era uma opção de governo, mas também não era da população. Sempre que era feita uma pesquisa com os moradores sobre as áreas prioritárias, a Educação vinha em sexto lugar. Assim ficava difícil conseguir mais investimentos.”
Cortella lembrou os problemas históricos e conjunturais do Brasil ao explicar os maus desempenhos dos estudantes brasileiros em índices de avaliação escolar internacionais, mas fez uma ressalva. “Não podemos resumir a Educação ao processo escolar”.