Diadema orienta população sobre esporotricose
Semana de Combate à Esporotricose concentra esforços para conscientizar população sobre zoonose que afeta cães e gatos
- Publicado: 16/02/2026
- Alterado: 04/11/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Gustavo Mioto
A Prefeitura de Diadema, na Grande São Paulo, mobiliza a cidade para a Semana Municipal de Combate à Esporotricose, que acontece de 3 a 7 de novembro. O objetivo central é alertar tutores de cães e gatos e toda a população sobre esta zoonose, uma doença grave, causada por fungos, que provoca feridas profundas e de difícil cicatrização em animais e humanos. A iniciativa se torna ainda mais relevante em um cenário que aponta para uma redução nos registros, mas que exige atenção contínua da saúde pública.
Dados recentes divulgados pela Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ) de Diadema revelam um avanço no controle da enfermidade. Em uma comparação direta, o município registrou 42 casos de esporotricose em animais neste ano (2025), um número significativamente menor do que os 66 casos notificados no mesmo período de 2024. Essa queda de aproximadamente 36% reforça a importância das campanhas de conscientização e das ações municipais coordenadas.
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💉 Diagnóstico Rápido e Tratamento da Esporotricose

A médica veterinária Juliana Oliveira, da UVZ Diadema, enfatiza que a informação é o principal instrumento de combate. “O intuito da ação é munir os profissionais de saúde (humana e animal) de informação para que possam orientar e esclarecer dúvidas dos responsáveis pelos pets e demais pessoas que convivem com animais. É uma doença que tem cura e precisa ser diagnosticada por um veterinário o mais breve possível, porque aumentam as chances de sucesso no tratamento”, explica a especialista.
O protocolo de enfrentamento à esporotricose em Diadema é robusto. A UVZ disponibiliza um serviço completo para os tutores, incluindo:
- Coleta de material para exame laboratorial;
- Acompanhamento clínico do animal infectado;
- Prescrição da medicação necessária;
- Orientações detalhadas sobre o tratamento e o manejo adequado do pet.
É fundamental ressaltar que a adesão completa à terapia, o isolamento apropriado do animal e a aquisição da medicação são de responsabilidade do tutor. O atendimento para suspeitas da doença é realizado na Unidade de Vigilância em Zoonoses (Rua Capela, 380 – Inamar) às quintas-feiras, exceto feriados, das 9h às 12h e das 13h às 16h, por ordem de chegada.
🚨 Sinais de Alerta: Como identificar a Esporotricose
Os tutores de cães e, principalmente, gatos devem estar atentos aos sinais clínicos da esporotricose, pois os felinos são a principal fonte de transmissão da doença para humanos (zoonose).
- Feridas que não cicatrizam: Lesões na pele que persistem e aumentam de tamanho rapidamente.
- Nódulos ou “bolinhas”: Presença de caroços pelo corpo do animal.
- Aumento de volume no focinho: Com ou sem ferida aparente.
Embora o tratamento seja de médio a longo prazo e varie conforme a imunidade de cada animal, a prevenção é a chave. “A esporotricose é uma zoonose que pode ser prevenida com medidas simples, como evitar o acesso livre dos gatos à rua e buscar atendimento veterinário ao surgirem lesões suspeitas”, reforça a veterinária. A dedicação e o acompanhamento do responsável são determinantes para a cura.
Notificação Compulsória e Descarte Correto
Cuidar de um animal com esporotricose não é apenas um gesto de amor, mas um dever legal. Em Diadema, a doença possui um regime de vigilância reforçado.
A Importância da Lei
A luta contra a doença ganhou força com a Lei Municipal nº 3.697, de 2017, que criou a Semana de Combate à Esporotricose. Mais recentemente, em novembro de 2022, a doença passou a ser de notificação compulsória em animais e em casos suspeitos de humanos, conforme o Decreto Municipal nº 8.198. Isso significa que a confirmação da doença deve ser imediatamente reportada: à UVZ (casos em animais) e à Vigilância Epidemiológica (suspeitas em humanos).
- Crime Ambiental: Abandonar um animal doente ou em tratamento configura crime, conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998, atualizada pela Lei nº 14.064/2020).
- Destinação Adequada em Caso de Óbito: A coordenadora da UVZ reitera a proibição do enterro de animais em quintais ou terrenos. “Esse erro na destinação do corpo pode contaminar o solo e contribuir para a disseminação da doença”, reforça. Em caso de óbito, o corpo deve ser encaminhado ao Departamento de Limpeza Urbana (DLU) ou a uma clínica veterinária para o descarte sanitário correto.
A prevenção também se estende aos humanos: se alguém for mordido ou arranhado por um animal suspeito, deve-se lavar a ferida com água e sabão e monitorar o surgimento de lesões no período de sete a 180 dias. Qualquer lesão suspeita deve ser avaliada por um médico imediatamente.