Diadema ganha Centro de Referência em Economia Solidária
Imóvel histórico do município recebe equipamento vinculado à Incubadora Pública de Empreendimentos Populares e Solidários (IPEPS) que irá apoiar e acompanhar os empreendimentos
- Publicado: 11/02/2026
- Alterado: 11/12/2014
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Itaú Cultural
Crédito:
Geração de renda, inclusão social e sustentabilidade ambiental. Estes são alguns dos objetivos do Centro de Economia Solidária da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho que será inaugurado nesta sexta, dia 12 de dezembro, às 10h. Vinculado à Incubadora Pública de Empreendimentos Populares e Solidários (IPEPS), o Centro será referência para o setor de economia solidária na cidade. Ele será implantado em um imóvel histórico do município, a residência do casal Sylvia e Evandro Caiaffa Esquível, no Centro.
O Centro de Economia Solidária será um espaço de articulação das Políticas Públicas da Economia Solidária, que irá apoiar e acompanhar os empreendimentos. A iniciativa abrangerá tanto os grupos que já se encontram em andamento (incubados) quanto novos empreendimentos. O objetivo é criar condições para que os grupos possam desenvolver seus trabalhos e gerem renda. A coordenação do espaço será da Incubadora Pública de Empreendimentos Populares e Solidários – IPEPS.
Diadema é uma das cidades do Grande ABC a contar com a lei que diz respeito ao tema, que completou cinco anos no dia 16 de novembro passado.
SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
Um bom exemplo da geração de renda, inclusão social e sustentabilidade ambiental é o empreendimento Projeto Okavango – Recuperação de Estofados e Móveis, iniciado em 2013. Localizado no Jardim Portinari, e inspirado no delta do rio africano que percorre três países (Angola, Namíbia e Botswana), o projeto tem como finalidade a recuperação de estofados pela população, evitando o descarte irregular em vias públicas, praças e córregos, aumentando a vida útil dos móveis.
“Nosso projeto conta com três frentes: a sustentável (preservação dos recursos naturais – hídricos e solo, evitando descarte irregular), a econômica (geração de renda) e a de inclusão social (oportunidade de emprego para aposentados e jovens em início no mundo do trabalho)”, afirma Diolindo Gonçalves de Sousa Filho, conhecido também como Jhol, e coordenador do projeto.
Diolindo tem 43 anos e veio do Piauí com a família para Diadema com três anos de idade. Ele é filho de tapeceiros e seus irmãos trabalham na área. “Sempre tínhamos dificuldade em vender o material que produzíamos, além de conseguir mão de obra e materiais adequados”, diz Gonçalves. “Quando íamos vender o material produzido nas lojas, pagavam preços inferiores aos praticados pelo mercado”, afirma. Um dia almoçando no Restaurante Popular do Serraria conheceu as ações da Incubadora Pública de Diadema e teve seu projeto de economia solidária aprovado.
Hoje, o projeto de Diolindo conta com nove pessoas no total, das quais quatro trabalham diretamente na recuperação de móveis usados. O grupo produz em média três sofás por dia, entre segunda e quarta. No mês, a produção, dependendo da quantidade de matéria-prima disponível, pode chegar a 64 móveis. Entre quarta e sábado, todo o material produzido é vendido na Feira de Economia Solidária na Praça Castelo Branco, no Centro do município, das 9h às 18h. “Nossa ideia é aumentarmos a produção desses móveis. Para isso, o projeto precisa se transformar em cooperativa, e a Incubadora potencializará isso. A economia do município será ainda mais incrementada, gerando emprego e renda”, diz o empreendedor.
A recuperação dos móveis é feita de acordo com as condições em que eles se encontram. “Geralmente conseguimos recuperar até 30% do volume de espuma encontrado em cada móvel recuperado. Esse material é utilizado no reforço (chamado de sustentação de calço). Todo o restante é substituído”, diz Gonçalves.
EMPREENDIMENTOS ACOMPANHADOS PELA INCUBADORA PÚBLICA
Diadema conta hoje com dez empreendimentos acompanhados pela Incubadora Pública: Feira de Artesanato e Economia Solidária; Escola Modelo de Economia Solidária; Cooperativa de Costura – Costura Bem (Rede de Costura); Projeto Okavango – Recuperação de Estofados e Móveis; Associação dos Tapioqueiros; Cooperativa de Materiais Recicláveis – Cooperlimpa; Cooperativa Coopcent (Central das Cooperativas do ABC); Associação dos Deficientes Visuais de Diadema – ADEVID; Associação dos Comerciantes de Milho Verde e Derivados e Associação dos Churrasqueiros de Diadema (UNICHURRAS).
INCUBADORA PÚBLICA
A Incubadora Pública de Empreendimentos Populares e Solidários – IPEPS, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho – SEDET, foi criada pela Lei Municipal Nº 301, de 16 de novembro de 2009, que institui a “Política de Economia Popular e Solidária do Município de Diadema”. Ela é composta pelo “Programa Diadema + Solidária” e pelo Comitê Municipal de Economia Popular e Solidária, que são parte da estratégia de desenvolvimento econômico de Diadema.
Ela promove a economia popular solidária como estratégia de desenvolvimento socioeconômico sustentável para a cidade, apoiando e expandindo experiências de êxito neste campo, surgidas das lutas sociais contra o desemprego e a pobreza. São experiências que, articuladas têm a vocação de reconstruir laços sociais, ampliar a solidariedade e a cooperação, fortalecer as comunidades e promover trabalho e melhor qualidade de vida para todos.
HISTÓRIA DO CENTRO/CASA – CHÁCARA SANTO ANTÔNIO
É um imóvel de Interesse Paisagístico, Histórico, Artístico e Cultural (IPHAC), que faz parte da Lei Complementar nº 273, de 8 de junho de 2008.
Em 1939, o casal Sylvia e Evandro Caiaffa Esquível adquiriu alguns lotes no Centro e foram construindo aos poucos, durante seis anos, sua casa na chácara que chamaram de “Santo Antônio”. Mais tarde venderam uma parte da chácara. Porém, ainda permanece a área onde se localiza a residência, que não sofreu alterações (apenas a construção de alguns anexos no fundo). É uma das poucas chácaras representativas desta fase da história da cidade.
SERVIÇO:
Inauguração do Centro de Economia Solidária
Dia 12 de dezembro de 2014, sexta-feira, às 10h
Rua Professor Evandro Caiaffa Esquível, 135 – Centro