Diabetes e risco de câncer de pâncreas após os 50 Anos

O diabetes recente é o marcador crucial para o Câncer de Pâncreas; entenda a conexão que pode antecipar o diagnóstico em indivíduos acima de 50 anos

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O Câncer de Pâncreas é, inegavelmente, um dos maiores desafios da oncologia moderna. Conhecido por sua agressividade e comportamento traiçoeiro, ele figura entre os tumores mais letais, mesmo não sendo o mais prevalente. No Brasil, esta neoplasia representa cerca de 1% do total de casos diagnosticados, mas é responsável por aproximadamente 5% das mortes por câncer. Essa disparidade alarmante tem uma explicação direta e preocupante: o diagnóstico é majoritariamente tardio. Devido ao crescimento rápido e invasivo do tumor, e à ausência de sintomas claros nas fases iniciais, a doença só costuma se manifestar em estágios avançados. Como resultado, cerca de 80% dos pacientes descobrem o tumor já em fase avançada, quando as possibilidades de tratamento curativo são drasticamente reduzidas.

Contudo, a comunidade científica tem encontrado um novo indício que pode servir de farol para uma detecção mais precoce: a correlação entre a doença e o surgimento do diabetes de início recente. Pesquisas recentes apontam que essa nova condição metabólica pode funcionar como um marcador biológico essencial.

A conexão metabólica entre diabetes e Câncer de Pâncreas

Conscientização sobre o Diabetes
Marcelo Camargo – Agência Brasil

O pâncreas é o órgão que atua como peça central tanto no desenvolvimento do câncer quanto na regulação da glicose, sendo responsável pela produção da insulina, um hormônio essencial para que as células utilizem a glicose como fonte de energia. É justamente essa função vital que é alterada pelo tumor.

Dr. Felipe Coimbra, líder do Centro de Referência de Tumores do Aparelho Digestivo Alto do A.C.Camargo Cancer Center, explica que o tumor pancreático e o diabetes compartilham fatores de risco em comum, como obesidade, tabagismo, sedentarismo, envelhecimento e alimentação não saudável. No entanto, no caso do câncer pancreático, a relação é mais íntima e direta: a própria doença tumoral afeta o funcionamento da glândula, fazendo com que ela produza menos insulina, o que leva ao quadro de diabetes.

“Alguns pacientes já chegam com diabetes, ou pioram um quadro anterior, mesmo sem saber do diagnóstico do tumor,” afirma Dr. Coimbra.

O poder do New-Onset Diabetes na detecção

O surgimento do diabetes em um curto intervalo de tempo (de 6 a 36 meses), clinicamente referido como new-onset diabetes, tem se mostrado um dos sinais mais relevantes para a detecção precoce do tumor pancreático, de acordo com estudos publicados na Clinical Gastroenterology and Hepatology. As alterações na glicemia não são apenas uma coincidência; em muitos casos, refletem uma mudança induzida pelo tumor ainda em estágio inicial.

Os dados são notáveis e justificam o alerta: até 80% dos pacientes com a neoplasia apresentam alguma alteração na glicemia. Mais especificamente, cerca de 1 em cada 4 desses indivíduos desenvolve o diabetes de início recente antes de ser diagnosticado com o Câncer de Pâncreas.

O especialista destaca que esse comportamento metabólico acende um alerta significativo, especialmente em pessoas acima dos 50 anos.

Indicadores de alto risco

Ter um diagnóstico de diabetes não é uma sentença, e a maioria das pessoas com a doença não desenvolverá Câncer de Pâncreas. A preocupação se concentra em um perfil específico: quando o diabetes surge de forma abrupta, sem causa aparente e, principalmente, associado à perda de peso não explicada ou à ausência de fatores clássicos de risco para diabetes. Nessas circunstâncias, o risco de desenvolver tumor pancreático pode aumentar de 6 a 8 vezes.

A correlação, quando reconhecida, permite que a investigação médica seja antecipada, elevando as chances de diagnóstico em fases mais tratáveis da doença.

Taxas de sobrevida e a urgência do diagnóstico

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A taxa de sobrevida do paciente é inversamente proporcional ao estágio da doença no momento da descoberta. Os dados do Observatório do Câncer do A.C.Camargo Cancer Center reforçam a importância da detecção precoce para reverter a alta letalidade do tumor:

  • Estágio I: A taxa de sobrevida pode atingir 49,1%.
  • Estágio II: A taxa de sobrevida é de 24,1%.
  • Estágio III: O percentual cai drasticamente para 5,2%.
  • Estágio IV (Metástase): A sobrevida é de apenas 2,8%.

Conforme explica o Dr. Felipe Coimbra, a instituição possui taxas de sobrevida equiparadas à dos melhores Cancer Centers do mundo. Isso é resultado de um modelo que integra diagnóstico, tratamento, ensino e pesquisa, oferecendo terapias personalizadas e o suporte de um grupo multidisciplinar. Para que mais pacientes possam se beneficiar desses resultados, é crucial investir no reconhecimento precoce, com o new-onset diabetes emergindo como uma das ferramentas mais importantes para a vigilância.

  • Publicado: 01/01/2026
  • Alterado: 01/01/2026
  • Autor: 25/11/2025
  • Fonte: Motisuki PR