Dia Nacional da Doação de Cordão Umbilical – 08 de outubro

ABCdoABC enviou sete perguntas ao Dr. Nelson Tatsui, Hematologista e Diretor Técnico da Criogênesis, procurando esclarecer as principais dúvidas sobre o assunto

Crédito:

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado aprovou este ano projeto de lei que institui o Dia Nacional da Doação de Cordão Umbilical, a ser celebrado anualmente em 08 de outubro. A proposta tem como finalidade estimular a doação de cordões umbilicais, como alternativa para complementar o baixo número de transplantes de medula óssea no país.

Nos últimos anos, o campo da medicina regenerativa tem crescido de forma importante, assim como a participação de bancos privados. Em virtude da falta de doadores compatíveis, é imprescindível que a mãe considere a coleta de sangue de cordão umbilical para doação ou para guardar para própria família.

E para abordar este tema tão importante e atual, o Dr. Nelson Tatsui, Hematologista e Diretor Técnico da Criogênesis, respondeu algumas questões:

1 – “Criogênesis é um banco privado. Como é o funcionamento da “doação”: é proprietária? Caso o filho(a) da gestante que doou seu SCUP necessitar de um transplante de células-tronco, ele(a) terá prioridade?
Dr. Nelson – Inicialmente, é necessário esclarecer que no Brasil existem dois sistemas de doação de sangue de cordão umbilical, um sistema dirigido para unidades públicas e outro para o sistema privado. No caso das unidades públicas, é uma rede que pertence à BrasilCord e possui aproximadamente 13 unidades espalhadas pelo Brasil.
Feito a doação para o sistema público, a unidade fica armazenada em um dos bancos públicos da rede BrasilCord a espera de um paciente compatível, habitualmente portador de uma doença hematológica grave. Nesse caso, a família não poderá reivindicar a qualquer tempo o sangue de cordão doado.

2 – Qual o posicionamento do Ministério da Saúde com relação aos bancos privados?
Dr. Nelson – O Ministério da Saúde, por meio da RDC 56 de 2010 da agência nacional de vigilância sanitária, autoriza e normatiza o funcionamento dos bancos privados no Brasil. A mesma agência também atua no controle de informações técnicas e de marketing.

3 – Qual é o custo?
Dr. Nelson – Quando a família opta por guardar a célula-tronco do sangue de cordão umbilical em entidade privada, o custo inicial é de aproximadamente R$ 3 mil reais. Anualmente é cobrada uma taxa de manutenção da estocagem, que gira em torno de R$ 600 reais. Obviamente, estes valores podem variar entre bancos privados e aumentar devido custos relacionados a transporte.

4 – Hospitais da região do ABC paulista, como proceder?
Dr. Nelson – Para a doação em bancos públicos, é necessário:
a) idade materna acima de 18 anos e que tenha submetido a pelo menos 2 consultas pré-natais documentadas;
b) idade gestacional igual ou superior a 35 semanas;
c) bolsa rota há menos de 18 horas;
d) trabalho de parto sem anormalidades;
e) ausência de processo infeccioso e/ou doença durante a gestação que possam interferir na vitalidade placentária;
f) ter lido e assinado o termo de consentimento livre e esclarecido sobre o ato de doação;
g) ligar para o banco público mais próximo e verificar os locais de coleta.
Para o setor privado, as exigências são menores e praticamente a coleta pode ocorrer em todos os hospitais da grande São Paulo.

5 – O sangue do cordão umbilical e placentário é utilizado para que tipo de tratamento? As células-tronco podem ser utilizadas em tratamento de outras doenças?
Dr. Nelson – O sangue do cordão umbilical, rico em células-tronco, vem apresentando importantes resultados clínicos para o tratamento de 79 tipos de doenças. No campo experimental, há grandes protocolos clínicos usando cordão umbilical nas seguintes áreas: diabetes, cardiopatia, paralisia cerebral, insuficiência vascular periférica e muitas outras que podem ser conhecidas nos sites www.parentsguidecordblood.org e www.clinicaltrials.gov.

6 – O tecido do próprio cordão também possui células-tronco?
Dr. Nelson – Sim, possui célula-tronco do tipo mesenquimal. É um subtipo celular com grande capacidade de regenerar tecidos não hematológicos. A coleta é realizada no mesmo momento do sangue de cordão umbilical. Esse tipo de coleta é realizada somente pelo setor privado.

7 – O que acontece após a doação?
Após a coleta, o sangue do cordão umbilical é processado e fica estocado em tanques de nitrogênio, em temperatura de aproximadamente 190°C negativos, rigorosamente controlada, para que o material não sofra variação de temperatura. No setor público, a unidade fica esperando um paciente compatível.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 10/08/2013
  • Fonte: FERVER