Dívidas fazem brasileiros mudarem presentes do Dia dos Namorados
Estudo do IBEVAR-FIA mostra que o alto endividamento das famílias impulsiona a busca por flores online e perfumes em vez de joias caras.
- Publicado: 09/06/2026 08:58
- Alterado: 09/06/2026 08:58
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: IBEVAR-FIA Business School
O endividamento recorde das famílias brasileiras transformou o comportamento de consumo para o Dia dos Namorados. Cerca de 50% da renda da população está comprometida com dívidas, o que forçou a troca de presentes caros por opções acessíveis. A projeção aponta uma movimentação de R$ 22,1 bilhões no varejo, com gasto médio de R$ 238 por pessoa.
Queda na busca por produtos de luxo
O levantamento do IBEVAR-FIA Business School indica que sete em cada dez consumidores pretendem comprar presentes. As categorias de alto valor sofreram quedas bruscas na intenção de compra. Jantares românticos recuaram 29%, enquanto as buscas por joias caíram 20%.
As flores online registraram o maior salto de interesse, com avanço de 36% nas pesquisas. O preço acessível e a entrega rápida justificam a ascensão do produto. Perfumes e chocolates também apresentaram alta de 6% e 5%, respectivamente.
O impacto da inflação no Dia dos Namorados
A alta dos preços agrava a pressão sobre o orçamento destinado ao Dia dos Namorados. Os produtos de maior carga simbólica encareceram acima da inflação geral, que acumulou 4,4% até abril de 2026.
O chocolate em barra subiu 22% e as joias registraram salto de 26,1%. Os perfumes caminharam na direção contrária, com reajuste de apenas 1,9%, o que reforça o apelo da categoria nas lojas pela combinação de carga afetiva e custo controlado.
Orçamento apertado e inadimplência
O cenário econômico severo não eliminou o desejo de presentear no Dia dos Namorados. Os dados mostram que 31% dos brasileiros pretendem comprar mimos mesmo com contas em atraso. Outros 28% admitem que vão gastar além de suas capacidades financeiras.
O pagamento à vista via Pix será a escolha de 34% do público. As lojas físicas concentrarão 76% das vendas, a maioria realizada de forma presencial já na primeira semana de junho.
Expectativas para o comércio
Acessibilidade e parcelamento são os diferenciais que definirão o sucesso das vendas neste período. Os consumidores buscam conveniência e opções que não pesem no bolso a longo prazo, mudando a logística e a escolha final nas prateleiras.
“O desejo de presentear permanece intacto; o que muda é o caminho até ele, agora desenhado pela régua do orçamento”, destacou Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR. O varejo precisará adaptar suas estratégias para capturar a demanda de um Dia dos Namorados focado estritamente no custo-benefício.