Dia de Finados: como a festa pagã virou tradição católica

Entenda a história do 2 de novembro e por que a Igreja celebra a memória dos mortos com foco na esperança.

Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Dia de Finados, celebrado anualmente em 2 de novembro, é frequentemente visto como um momento de luto. No entanto, o Santuário Nacional de Aparecida destaca a data como uma oportunidade para renovar a esperança na vida eterna prometida por Cristo. Em 2025, a celebração ocorre em um domingo, servindo como um tributo à memória dos entes queridos que já partiram.

Ainda que seja uma data fundamental no calendário católico, a origem do Dia de Finados remonta a tradições pagãs que foram, gradualmente, integradas e ressignificadas pela Igreja.

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Das Raízes Pagãs à Tradição Cristã

O padre Kléber Silva, de Tremembé (SP), explica que as primeiras comunidades cristãs adaptaram antigos rituais para refletir a perspectiva da Ressurreição.

Antigos povos pagãos realizavam rituais em honra aos mortos. Em resposta a essas práticas, as comunidades cristãs começaram a organizar suas próprias celebrações, enfatizando a esperança na Ressurreição“, afirmou o padre.

Segundo o sacerdote, já no século II existiam registros dessas comemorações, que incluíam orações pelos falecidos e logo foram associadas à celebração da missa. Ele também menciona que o arcebispo Isidoro de Sevilha instruía seus monges a celebrar a Missa em memória das almas no dia seguinte ao Domingo de Pentecostes.

A Oficialização do 2 de Novembro

Apesar das práticas antigas, a fixação da data demorou séculos. Foi somente no ano de 998 que o abade Odilão de Cluny estabeleceu oficialmente o dia 2 de novembro como a data para honrar todos os fiéis defuntos em seus mosteiros.

A prática se popularizou rapidamente, chegando à Itália e a Roma no século XIII. Desde então, o Dia de Finados se consolidou como um momento de reflexão centrado no Mistério Pascal.

O Significado do Dia de Finados para os Católicos

Dia de Finados: como a festa pagã virou tradição católica
Valter Campanato/Agência Brasil

Para a fé católica, o Dia de Finados não é sobre a morte, mas sobre a esperança na vida eterna. O portal A12, do Santuário Nacional, reforça essa mensagem.

Nossa fé se fundamenta na vida e não na morte. Cremos que a morte é apenas uma passagem para uma nova existência com Deus”, enfatiza o portal.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller, bispo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ressalta a importância da união espiritual que transcende a morte.

A morte não rompe nossos laços; ela apenas transforma nossa relação com aqueles que partiram. As orações e gestos simbólicos como acender velas e visitar túmulos são formas de reafirmar essa comunhão“, explica.

Três Gestos Recomendados pela CNBB

A CNBB convida os fiéis a praticarem três gestos significativos durante o Dia de Finados para vivenciar plenamente a data:

  1. Visita aos cemitérios: Uma oportunidade de rezar junto aos túmulos, professando a crença na ressurreição dos corpos.
  2. Oferecimento de Missas: Pedir pela salvação e interceder pelas almas, especialmente as que mais necessitam de misericórdia.
  3. Prática da caridade: Encoraja ações como perdoar ofensas, buscar reconciliações familiares e ajudar os necessitados.

O Credo, recitado nas missas e visitas aos túmulos neste Dia de Finados, resume a crença: “Creio em Deus Pai Todo-Poderoso… Creio na comunhão dos santos… na ressurreição da carne…” Este conjunto de crenças reafirma o compromisso dos católicos com a memória dos falecidos e a esperança na vida eterna.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 02/11/2025
  • Fonte: Fever