Dia das Mães e a realidade das mães atípicas no Brasil
Dia das Mães evidencia a sobrecarga de mães atípicas e reforça a importância de políticas públicas para garantir apoio, inclusão e dignidade às famílias que enfrentam desafios diários com filhos com deficiência, TEA e outras condições
- Publicado: 08/05/2026 09:04
- Alterado: 08/05/2026 09:04
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: SEDPcD
Mais do que uma data comemorativa, o Dia das Mães evidencia desigualdades estruturais que ainda atravessam a vida de milhões de mulheres no Brasil. Entre elas estão aquelas que acumulam, de forma contínua, a responsabilidade integral pelo cuidado familiar, especialmente quando há filhos com deficiência, Transtorno do Espectro Autista (TEA), doenças raras ou outras condições que exigem acompanhamento permanente.
Conhecidas como mães atípicas, essas mulheres enfrentam barreiras físicas, sociais e institucionais que impactam diretamente o exercício da maternidade e da cidadania. Em muitos casos, a sobrecarga resulta no abandono de carreiras profissionais e da vida social, diante da falta de suporte adequado para garantir direitos básicos como terapias, educação inclusiva e atendimento médico especializado.
Dia das Mães e o papel das políticas públicas no enfrentamento das desigualdades

O reconhecimento dessa realidade é fundamental para dar visibilidade às vivências dessas mulheres e fortalecer a necessidade de uma rede estruturada de apoio. No contexto do Dia das Mães, o debate sobre políticas públicas ganha ainda mais relevância ao evidenciar a urgência de ações integradas voltadas ao cuidado e à inclusão.
A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) desenvolve iniciativas voltadas ao acolhimento e à assistência dessas famílias, como o Centro TEA Paulista, a Escola da Inclusão, o programa TODAS In-Rede e a Equoterapia Inclusiva, entre outras frentes de atuação.
O secretário Marcos da Costa destaca que o suporte institucional é essencial para reduzir vulnerabilidades. “Hoje quase 15% dos lares brasileiros são administrados por mães solo. No caso das mães atípicas, que enfrentam inúmeras situações discriminatórias, é preciso que haja uma rede de amparo para lidar com uma realidade de insegurança e vulnerabilidade”.
Programas de apoio e formação ampliam autonomia feminina

Entre janeiro de 2023 e março de 2026, mais de 2,8 mil mulheres participaram de formações oferecidas pelo programa TODAS In-Rede, com cursos voltados a trabalho, liderança, prevenção à violência, direitos, saúde, autoestima e autonomia financeira.
O Centro TEA Paulista, localizado na Vila Leopoldina, reúne ações direcionadas a pessoas autistas e seus cuidadores, oferecendo acolhimento e suporte multiprofissional. Em nove meses, o espaço registrou mais de sete mil atendimentos. Uma das beneficiadas, Marizelia Urbano, destaca a importância do teleatendimento noturno para situações de crise em casa.
Impacto do cuidado especializado na vida das famílias

Outro exemplo é o de Jéssica Marques, mãe de Felipe, que participa das atividades da Equoterapia Inclusiva no Parque da Água Branca. Segundo ela, a rotina estruturada contribuiu diretamente para o desenvolvimento social e cognitivo do filho, com avanços no comportamento e na comunicação.
“Com essa rotina ele tem se soltado bem mais, fez até diferença na escola. Ficou muito mais comunicativo e mais brincalhão, a gente percebe essa evolução”, relata.
A experiência reforça o impacto de iniciativas voltadas ao atendimento especializado, que contribuem para a inclusão e o desenvolvimento das crianças atendidas.
Conclusão: inclusão e dignidade como compromisso permanente
No contexto do Dia das Mães, torna-se evidente que o enfrentamento das desigualdades vividas por mães atípicas depende de políticas públicas contínuas e integradas. Investir em acolhimento, formação e suporte especializado não é apenas uma ação assistencial, mas uma estratégia essencial para garantir dignidade, autonomia e justiça social.
Ao ampliar essas iniciativas, o poder público contribui para que famílias inteiras possam exercer plenamente seus direitos, transformando realidades marcadas pela sobrecarga e pela invisibilidade em trajetórias de inclusão e cidadania.