DH Fest 2025 traz filmes, debates e shows em São Paulo
De 25 de novembro a 2 de dezembro, São Paulo se torna o epicentro da resistência com o 5º DH Fest, celebrando 50 anos do legado de Vladimir Herzog
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 29/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
São Paulo, mais uma vez, em um palco vibrante de reflexão e resistência com a chegada da quinta edição do DH Fest – Festival de Cultura em Direitos Humanos. Entre os dias 25 de novembro e 2 de dezembro, o evento, totalmente gratuito, ocupará pontos cruciais da cidade, reafirmando o poder da arte como ferramenta de transformação social e memória.
Com o tema “Memória, Terra e Liberdade”, o DH Fest de 2025 não é apenas uma mostra cultural, mas um chamado à urgência de revisitar o passado, defender os territórios e blindar a liberdade como direito inegociável. A iniciativa é uma realização do Instituto Vladimir Herzog e da Criatura Audiovisual.
50 Anos por Vlado: O DH Fest e a Memória Inegociável
Esta edição possui um significado histórico e emocional profundo, pois marca o cinquentenário do assassinato de Vladimir Herzog. O jornalista, morto em 25 de outubro de 1975 sob custódia do Estado, tornou-se um símbolo da violência da ditadura civil-militar brasileira e um farol na luta pela democracia.
Em uma homenagem à sua vida e legado, o DH Fest reservou um espaço de destaque para a exibição de documentários que revisitam sua trajetória e o impacto de sua luta na defesa da liberdade de expressão. O público terá a chance de assistir a obras como “Herzog, o crime que abalou a ditadura” e “A Vida de Vlado – 50 anos do caso Herzog”, reforçando a máxima de que a memória é o pilar da justiça.
O festival busca, assim, não apenas recordar, mas reavivar o espírito de Vlado em um momento em que a sociedade brasileira precisa de vigilância e engajamento cívico.
O Cinema Como Espelho da Resistência
A programação audiovisual é um dos grandes destaques do DH Fest. A abertura, na segunda-feira (25/11), no Reserva Cultural, traz o longa “Alma Negra, do Quilombo ao Baile”, de Flavio Frederico. O filme, ainda inédito comercialmente, é um poderoso olhar sobre a valorização da cultura negra e a resistência política através da música soul, destacando figuras históricas como Beatriz Nascimento, Lélia Gonzalez e Edneia Gonçalves.
O circuito de filmes do festival é vasto e diverso, incluindo a exibição de “Honestino” e obras de cineastas renomados, como Aurélio Michiles, Evaldo Mocarzel, Joel Zito Araújo, Tainá Müller e Caru Alves de Souza. Há também uma seleção de curtas premiados que abordam de forma incisiva e artística questões indígenas, LGBTQIA+, ambientais, urbanas e de direitos civis, como “Alice” (vencedor no Hot Docs), “Marmita”, “O Som da Pele”, “Presépio” e “Cavaram uma Cova no Meu Coração”.
A Estreia do Prêmio Marimbás e Grandes Nomes da Música
Uma das grandes novidades da quinta edição é o Prêmio Marimbás, criado para reconhecer personalidades cujas vidas e carreiras se entrelaçam com a luta incansável pelos direitos humanos. O troféu, que tem design da cartunista Laerte e se inspira no filme Marimbás, de Vladimir Herzog, fará sua estreia com homenagens a duas figuras monumentais:
- O fotógrafo Sebastião Salgado (in memoriam);
- A atriz e cantora Zezé Motta.
A cerimônia de premiação será seguida de um pocket show da própria Zezé Motta, um momento que promete emoção e celebração.
Além da homenagem, o público terá um dia especial no Galpão Cultural Elza Soares (29/11). A programação inclui um almoço com alimentos da Cozinha Escola Dona Ilda (MST), shows da Discopédia e o tão aguardado retorno aos palcos da sambista e deputada estadual Leci Brandão, que retoma as atividades após um período de cuidados de saúde. É a cultura popular e a resistência na linha de frente do DH Fest.
Debates e Teatro que Atravessam Fronteiras
A reflexão crítica, elemento central do DH Fest, ganha forma no debate “Memória, Terra e Liberdade” (27/11). O encontro reúne o ambientalista martinicano Malcom Ferdinand, referência na ecologia decolonial, e a escritora e ativista indígena Geni Nunez. Juntos, eles provocarão reflexões essenciais sobre a defesa do território, a justiça climática e a construção de futuros possíveis, ligando a luta local a um contexto global.
Pela primeira vez em sua história, o DH Fest incorpora uma atração teatral: “Cerrado!”, do Grupo Pano. Indicada ao Prêmio Shell 2025, a peça mescla o realismo fantástico com crítica social, utilizando a arte para refletir sobre o colonialismo e as burocracias que asfixiam a vida na América Latina.
Com atividades espalhadas pelo Centro Cultural São Paulo (CCSP), Cinemateca Brasileira, Galpão Cultural Elza Soares, Espaço Petrobras de Cinema, Reserva Cultural e com a transmissão de parte do conteúdo na plataforma CultSP Play, o 5º DH Fest reafirma a arte como uma trincheira na defesa da democracia.